NOTÍCIAS
ARTIGOS
EVENTOS
EVENTOS AMÉRICA LATINA
ONGS
BIBLIOTECA
DICIONÁRIO
FIQUE POR DENTRO:
QUEM É QUEM/ SERVIÇOS
FALE CONOSCO
CADASTRE-SE PARA
RECEBER NOTÍCIAS E INFORMAÇÕES
 
APOIO

.
:: NOTÍCIAS ::
JOVENS QUE VIVEM COM HIV CONTAM SUAS HISTÓRIAS EM PALESTRAS PROMOVIDAS PELO SENAC E AGÊNCIA AIDS.' NA ESCOLA QUANDO ME PERGUNTAVAM O QUE ERAM OS REMÉDIOS EU DIZIA QUE ERA TIC TAC ', DIZ THOMPSON TOLEDO



Thompson Toledo e Valéria Polizi em palestra no SENAC em Santos

28/10/2008 - 15h50

Três histórias diferentes com um ponto em comum, o HIV. Há anos venho dando palestras para adolescentes pelo Brasil, contando minha vivência com o HIV, relatada no livro “Depois daquela viagem - diário de bordo de uma jovem que aprendeu a viver com Aids”. Mas, nessa semana, tive uma experiência nova, emocionante e divertida ao dividir o palco com outros palestrantes, a jornalista Roseli Tardelli e os jovens Micaela e Thompson, no ciclo: “O Olhar do Jovem Sobre a Aids: Liberdade, Prevenção e Responsabilidade”, promovido pelo SENAC e a Agência de Notícias da Aids em cidades do estado de São Paulo.

Roseli Tardelli, editora executiva da Agência, descobriu o vírus HIV em sua vida, quando acompanhou o desenvolvimento da doença em seu único irmão na década de 1990. Sérgio Tardelli adoeceu em uma época em que não havia o coquetel. Ele pegou a fase “Filadélfia” da epidemia, quando só tínhamos o AZT, remédio que, depois de alguns meses de tratamento, não fazia mais efeito.

Sérgio faleceu, mas teve a irmã todo o tempo a seu lado, confortando-o com cuidados e carinhos. “Eu perdi um irmão com Aids”, ela diz ao início da nossa apresentação. Mas eu prefiro colocar diferente: nós ganhamos uma jornalista comprometida com a nossa causa. E, certamente, Sérgio sorri orgulhoso, de onde estiver, enquanto sua irmã apresenta, em power point, a exposição as “Notícias que fizeram a história da Aids”, decorrendo sobre os erros e acertos da mídia brasileira e explicando porque fundou a Agência de Notícias da Aids em 2003.

Na seqüência, falo eu, contando como me infectei na adolescência, aos 16 anos, em relação sexual desprotegida com o primeiro namorado. Como foi viver em uma época em que só se dizia “a Aids mata”, sobreviver à chegada do coquetel, reaprender a fazer planos, voltar à faculdade aos 33 anos, depois de ter largado uma aos 20, achando que não daria tempo de se formar. E hoje, aos 37, estar graduada em comunicação social e trabalhando na área.

Depois se apresentam um dos jovens, Micaela Cyrino, de 20 anos ou Thompson Toledo, de 22, que nasceram com o HIV. Suas histórias impactantes de como foi crescer numa casa de apoio em meio a outras crianças órfãs, descobrir na infância que tinham Aids e crescer em uma época em que ninguém imaginava que sobreviveriam é contada com um sorriso no rosto e muito bom humor.

“Quando me explicaram que eu tinha um bichinho dentro de mim e por isso precisava tomar remédios, eu imaginava os power ragenrs lutando com o inimigo. Na escola, quando me perguntavam o que era aquele monte de remédios que eu trazia no bolso, eu dizia que era Tic tac”. Assim vai, Thompson, com seu jeito sábio de menino sapeca, levando a platéia às gargalhadas em meio a lágrimas disfarçadas. “Quando minha namoradinha disse que a mãe dela não queria mais que a gente namorasse porque eu tinha Aids, eu reclamei: mas eu quero beijar você e não a sua mãe!”.

“Eu não sou um vírus. O HIV é mais um detalhe na minha vida. Eu trabalho com produção de moda, faço vários cursos, curto meus amigos, namoro”, diz Micaela, em seu tom suave de falar, lembrando a importância de se investir na autonomia dos adolescentes soropositivos que moram em casas de apoio. “Com 18 anos a gente tem de sair de lá e não somos preparados pra isso”, explica a moça que, junto com Thompson e outros amigos, estão montando um projeto para incentivar a profissionalização dos meninos e meninas que ainda vivem nessas instituições. “Eles têm de sair de lá, já preparados para o mundo aqui fora”, defende o rapaz.

A platéia participa com perguntas, querem saber de tudo. Como se desenvolve o HIV no nosso organismo, quantos remédios tomamos por dias, quais os efeitos colaterais, como reagimos ao saber que tínhamos o vírus. E entre perguntas e respostas todos vão aprendendo, espectadores e palestrantes.

Para encerrar a apresentação, depois da demonstração de como se colocar corretamente a camisinha, seis meninas são convidadas a subir ao palco. “As mulheres perdem a saúde, mas não perdem uma transa”, diz Roseli, lembrando que precisamos aprender a lidar com certas situações. Uma sai justa é proposta à garotada, quem se sair melhor ganhará um livro de presente.

A história é a seguinte: “Você está apaixonada pelo Paulino. Já namoram há um bom tempo e o Paulinho é tudo de bom. Nesse fim-de-semana seus pais viajaram, a casa está livre. O Paulinho vai pra lá e vocês ficam no maior amasso. Mas na hora H não tem camisinha. E aí, o que você diz ou faz pra segurar sua onda e a do Pulinho? !”

As respostas são as mais variadas. “Paulinho, sem camisinha não dá!” “Paulinho, vamos parar por aqui e marcar pra um outro dia”. “Paulinho, corre lá na farmácia!”, ou ainda “Eu satisfaço o Paulinho de um outro jeito”. A imaginação da meninada corre solta. O pessoal vibra, aplaude vaia. Votam na melhor resposta. E a gente aprende se divertindo. Em São Carlos, um garoto da platéia levanta um cartaz dizendo: “Eu sou o Paulinho!”. Trabalhar com adolescentes tem dessas surpresas e, quer saber ?? é tudo de bom!

Valéria Polizzi


Próxima palestra será em Campinas

Data: 31 de outubro
Horário: das 14 às 17 horas
Valor: gratuito
Local: Auditório do Senac
Endereço: Rua Sacramento, 490, Centro. Campinas
Informações: (19) 2117-0600

 
:: ARTIGO ::
MENSAGEM DE NATAL - Padre Valeriano Paitoni é pároco da Igreja Nossa Senhora de Fátima do Imirim, membro fundador da Comissão Nacional de DST/Aids da Pastoral da Saúde da CNBB


Padre Valeriano Paitoni

Alegrai-vos porque Deus, o Emmanuel (Deus conosco), saiu do armário e nos garante mais uma vez que se fez carne da nossa carne; seja ela amarela, preta, branca, vermelha, pobre, rica, com saúde, doente, soropositiva, soronegativa, é um de nós, é cada um de nós! Toda vez que celebro o Natal me pergunto: por que não conseguimos ainda assimilar essa verdade do nosso ser?

Como será diferente quando conseguiremos nos aproximar de alguém e aceitá-lo assim como Deus nele quis se manifestar para acreditarmos que Deus é essencialmente "AMOR PURO", não porque ELE é heterossexual ou homossexual, mulher ou homem, mas porque é PERDÃO, MISERICÓRDIA, JUSTIÇA, SOLIDARIEDADE, IGUALDADE. Esses são os 'caminhos do Senhor' que João Batista nos convida a preparar na sua pregação profética.

Sendo Deus fonte do universo, Nele tudo e todos cabemos e, salvos, a Ele voltaremos. A Paz que o natal nos traz não consiste na falta de guerras ou num mundo sem armas, mas no ÁGAPE fraterno que consiste no estar juntos à mesma mesa sem fronteiras nem muros, sem preconceitos nem falsos moralismos que alimentam a cultura da morte e constroem as classes dos bons e dos maus, dos santos e pecadores, dos soropositivos e dos soronegativos...

Padre Valeriano Paitoni é pároco da Igreja Nossa Senhora de Fátima do Imirim, membro fundador da Comissão Nacional de DST/Aids da Pastoral da Saúde da CNBB e presidente da Sociedade Padre Constanzo Dalbézio, mantenedora das Casas de Apoio Siloé e Lar Suzanne, que cuidam de crianças portadoras do HIV/Aids

2005(c) Agência de Notícias da Aids - Todos direitos reservados