NOTÍCIAS
ARTIGOS
EVENTOS
EVENTOS AMÉRICA LATINA
ONGS
BIBLIOTECA
DICIONÁRIO
FIQUE POR DENTRO:
QUEM É QUEM/ SERVIÇOS
FALE CONOSCO
CADASTRE-SE PARA
RECEBER NOTÍCIAS E INFORMAÇÕES
 
APOIO

.
:: NOTÍCIAS ::
Danuza Leão critica criação de primeira escola gay no País em artigo na Folha de S.Paulo

07/02/2010 - 12h

"Ao que me consta, o objetivo da humanidade é integrar, fazer com que os humanos de qualquer raça, cor ou religião se sintam como na realidade são -iguais. Se os colégios só para meninas ou só para meninos já não eram recomendados, o que dizer de um dirigido preferencialmente ao mundo gay?". O questionamento é da jornalista e escritora Danuza Leão em artigo publicado neste domingo pelo jornal Folha de S.Paulo a respeito da criação da primeira escola gay em Campinas, São Paulo. Leia na íntegra a seguir.

Como se tornar uma drag queen


Essa história chega a ser ridícula; a vocação vem do berço e não precisa de professor para ensinar

SOUBE que vai ser inaugurada em Campinas, com o apoio do Ministério da Cultura, a primeira escola gay do Brasil: a Escola Jovem LGTB, para lésbicas, gays, transexuais e bissexuais.

Nela serão dados inúmeros cursos como expressão literária, expressão cênica e expressão artística, além de um inédito, para formar drag-queens. Já começa aí o preconceito: por que não ensinar também a trabalhar com mecânica, carpintaria, eletricidade, ou a consertar um ar-condicionado? Por que existem pessoas que acham que o mundo gay só é capaz -na cabeça deles- de fazer trabalhos "artísticos"?

Cada um, seja bailarino, lutador de box, cabeleireiro ou bombeiro, tem o direito de escolher com quem vai para a cama, se com alguém do mesmo sexo ou de outro. Detalhe: a escola está aberta também aos heterossexuais. Será que eles acham que vai ter fila de héteros querendo estudar lá?

Essa história de dar aulas para ensinar como se tornar uma drag-queen chega a ser ridícula; a vocação vem do berço e não precisa de professor para ensinar. Mesmo nascendo e crescendo numa fazenda no interior do Acre, uma drag, desde sua mais tenra infância, sabe se "montar" como ninguém.

Ela pega um pano, amarra na cintura, de umas frutinhas faz um colar, passa colorau na boca -mais vermelho que os batons de St. Laurent- e na falta de um sapato alto, anda na ponta dos pés; é com ela mesmo, e é preciso ser muito ignorante para pensar que para ser drag é preciso aprender.

Ao que me consta, o objetivo da humanidade é integrar, fazer com que os humanos de qualquer raça, cor ou religião se sintam como na realidade são -iguais. Se os colégios só para meninas ou só para meninos já não eram recomendados, o que dizer de um dirigido preferencialmente ao mundo gay? Então por que não pensar também em colégios só para brancos e outros só para negros?

As cotas nas universidades já são de um preconceito absurdo; o resultado será a segregação, em seu mais alto grau, e me admira que as autoridades hajam permitido essa aberração. O Brasil tem mania de ser moderninho, mas é bom não esquecer Hitler; é assim que começa.

O mundo é cruel, disso já se sabe, e as crianças, ainda mais cruéis que os adultos. Se eles já fazem maldades com o coleguinha que parece "diferente", imagine do que não serão capazes quando crescerem, sabendo que os "diferentes" estão agrupados, juntos, num só colégio. Aliás, desconfie dos homofóbicos: dentro de muitos deles mora um gay ainda adormecido.

Se a moda pega, veremos no futuro anúncios de edifícios e condomínios exclusivamente para gays, separando cada vez mais o que deveria ser integrado. Essa integração só poderá acontecer quando todas as pessoas do mundo -inclusive o mundo gay, que às vezes é bem preconceituoso- aprenderem que não existem diferenças entre os seres humanos, que as preferências sexuais de cada um são pessoais, e não dizem respeito a ninguém.

Por falar nisso, o Exército dos EUA está abrindo as portas para os assumidamente gays poderem servir "à pátria que eles tanto amam", segundo o presidente Obama; como somos atrasados. Ensinar a conviver com a diversidade, isso é que as escolas e o Ministério da Cultura deveriam fazer.


danuza.leao@uol.com.br

DANUZA LEÃO jornalista e escritora

Fonte: Folha de S.Paulo

 
:: ARTIGO ::
MENSAGEM DE NATAL - Padre Valeriano Paitoni é pároco da Igreja Nossa Senhora de Fátima do Imirim, membro fundador da Comissão Nacional de DST/Aids da Pastoral da Saúde da CNBB


Padre Valeriano Paitoni

Alegrai-vos porque Deus, o Emmanuel (Deus conosco), saiu do armário e nos garante mais uma vez que se fez carne da nossa carne; seja ela amarela, preta, branca, vermelha, pobre, rica, com saúde, doente, soropositiva, soronegativa, é um de nós, é cada um de nós! Toda vez que celebro o Natal me pergunto: por que não conseguimos ainda assimilar essa verdade do nosso ser?

Como será diferente quando conseguiremos nos aproximar de alguém e aceitá-lo assim como Deus nele quis se manifestar para acreditarmos que Deus é essencialmente "AMOR PURO", não porque ELE é heterossexual ou homossexual, mulher ou homem, mas porque é PERDÃO, MISERICÓRDIA, JUSTIÇA, SOLIDARIEDADE, IGUALDADE. Esses são os 'caminhos do Senhor' que João Batista nos convida a preparar na sua pregação profética.

Sendo Deus fonte do universo, Nele tudo e todos cabemos e, salvos, a Ele voltaremos. A Paz que o natal nos traz não consiste na falta de guerras ou num mundo sem armas, mas no ÁGAPE fraterno que consiste no estar juntos à mesma mesa sem fronteiras nem muros, sem preconceitos nem falsos moralismos que alimentam a cultura da morte e constroem as classes dos bons e dos maus, dos santos e pecadores, dos soropositivos e dos soronegativos...

Padre Valeriano Paitoni é pároco da Igreja Nossa Senhora de Fátima do Imirim, membro fundador da Comissão Nacional de DST/Aids da Pastoral da Saúde da CNBB e presidente da Sociedade Padre Constanzo Dalbézio, mantenedora das Casas de Apoio Siloé e Lar Suzanne, que cuidam de crianças portadoras do HIV/Aids

2005(c) Agência de Notícias da Aids - Todos direitos reservados