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EXPOSIÇÃO FOTOGRÁFICA DE TRAVESTIS É INAUGURADA EM SÃO PAULO

05/06/2007 - 0h00

Brinde do fotógrafo Barry Wolfe, da editora-executiva da Agência de Notícias da Aids, Roseli Tardelli, e da síndica do Conjunto Nacional, Vilma Peramezza, em vernissage que inaugurou a exposição "Retratos de Uma Cidade Escondida"

"Moro há 20 anos no Brasil e acho que posso dizer que a situação delas têm que mudar. Nenhuma tem acesso à saúde, à educação e ao trabalho", disse o fotógrafo Barry Michael Wolfe. A exposição sobre travestis, Retratos de Uma Cidade Escondida, foi inaugurada na noite desta segunda-feira (04/06) com elogios de ativistas e foi classificada como o primeiro evento cultural sobre o assunto. A mostra reúne imagens de transgêneros que moram em São Paulo e fica na galeria do Conjunto Nacional (Av. Paulista, 2073 – térreo) até o dia 16 de junho. O projeto é uma realização do Condomínio Conjunto Nacional, da Iacocca (Assessoria de Marketing Cultural) e da Agência de Notícias da Aids.

Em um ano e oito meses, Barry Michael Wolfe, de origem escocesa, selecionou e organizou 30 fotos para a exposição. "Tirei entre 300 e 400 imagens e escolhi aquelas que demonstravam mais sentimentos transmitidos pelo olhar. Busquei mostrar como elas gostariam de serem percebidas", comentou o fotojornalista. Mesmo assim, a maioria das personagens nas fotos não compareceram no evento, o que foi classificado por ele como um temor de retaliações por parte da sociedade.

Elvira Felipe, psicóloga do Programa Estadual de DST/Aids, enfatizou o ineditismo do projeto. "Acho que esta é a primeira vez que uma exposição sobre travestis é realizada, contando com fotos belíssimas", disse. "Berry soube resgatar a alegria das travestis. Se eu fosse dar um nomea para exposição, seria a alma de uma pessoa escondida. As fostos são poéticas", elogiou o ativista José Araújo Lima, diretor da AFXB Brasil.

A editora-exexutiva da Agência de Notícias da Aids, Roseli Tardelli, o fotógrafo Wolfe e a síndica do Conjunto Nacional, Vilma Peramezza, inauguraram a exposição com um brinde. "Adorei o espaço, achei sofisticado, bem sociedade mesmo", definiu Sachenka Levtchenko, uma das travestis fotografadas por Barry Wolfe. A síndica Vilma corroborou com a fala. "O Conjunto Nacional é onde as pessoas se encontram e abriga diversidade", comentou.

Durante a abertura do evento, Roseli Tardelli considerou a mostra como "um olhar humano" sobre as transgêneros. Já Marta McBritton, do Instituto Cultural Barong, exclamou que considera "lindo" o projeto. Barry Michael Wolfe é formado em direito internacional e criminologia nas faculdades de Cambridge, Yale e Edimburgo. Começou a fotografar travestis em 2005 porque, segundo ele, “o universo que elas vivem mostra um pouco da hipocrisia e androgeneidade que se esconde no falso moralismo que existe no mundo”.

A exposição ainda conta com o apoio das seguintes instituições: Programa Municipal de DST/Aids de São Paulo, Programa de DST/Aids do Estado de São Paulo; da Secretaria Especial para Participação e Parceria de Assuntos da Diversidade; da Vinícola Perini; Prudence; Labtec; e Barong.

Rodrigo Vasconcellos


DICA PARA ENTREVISTA:

Assessoria de Imprensa - Luciana Freitas
Tel.: (0XX11) 9948-8698
 
:: ARTIGO ::
Da ampliação do diagnóstico ao fortalecimento da prevenção

Por Mariângela Simão

O ano de 2009 foi um marco no enfrentamento da epidemia do HIV/aids no Brasil. Começou com a proposta de ampliação do diagnóstico do vírus em vários segmentos da população. Para isso, colocou em destaque o teste rápido, que agora é 100% nacional. O método reduz o tempo de espera – o resultado sai em menos de 30 minutos –, pode chegar a locais de difícil acesso ou sem estrutura laboratorial.

Ao longo do ano, foram encaminhados ao 26 estados e ao Distrito Federal quase dois milhões de dispositivos para realizar os testes rápidos. Trata-se do recorde anual, desde que a nova metodologia foi adotada pelo programa de aids brasileiro em 2005 para diagnóstico na população geral. Para se ter ideia, o quantitativo do ano passado é quase quatro vezes maior que no lançamento, há cinco anos. Essa ampliação foi um compromisso assumido pelo ministro José Gomes Temporão por ocasião do Dia Mundial de Luta contra a Aids de 2008.
Nunca é demais lembrar que uma parte importante dos diagnósticos de aids é feita tardiamente, quando o sistema imunológico das pessoas já está comprometido.

Outro destaque importante do ano foi o anúncio da maior pesquisa sobre conhecimentos, atitudes e práticas sexuais da população brasileira. A boa notícia é que a camisinha vem se tornando uma grande companheira dos casais no início da vida sexual. Em 2008, 61% dos jovens entrevistados afirmaram tê-la usado na primeira relação. Na pesquisa de 2004, esse índice era de 53%. O problema é que ao longo da vida o preservativo vai sendo deixado de lado. O estudo mostrou que os jovens fazem mais sexo protegido do que os mais velhos. 49,6% das pessoas entre 15 e 24 anos afirmaram ter usado preservativo em todas as relações sexuais com parceiros casuais, nos últimos 12 meses. No grupo entre 50 e 64 anos, esse percentual cai para 32%.

Um dado da PCAP que chama a atenção é que a internet tem sido um meio utilizado pelos jovens para conhecer parceiros. A pesquisa mostra que 10,5% teve pelo menos um parceiro sexual que conheceu na rede mundial de computadores. Entre os acima dos 50 anos, esse tipo de comportamento não chega a 2%.

A comparação dos resultados dos resultados de 2004 com os de 2008 nos acendeu um alerta. O brasileiro tem feito mais sexo casual. Em 2004, 4% das pessoas haviam tido mais de cinco parceiros casuais no ano anterior. Em 2008, esse índice subiu para 9,3%. Ao lado disso, o estudo mostra que quem tem mais parceiros casuais usa mais camisinha do que quem não tem. O conhecimento sobre os riscos de se infectar com o HIV e sobre as formas de prevenção continuam altos. Mesmo assim, a pesquisa identificou tendência de queda no uso do preservativo. Passou de 51,6% em todas as parcerias eventuais, em 2004, para 46,5% em 2008.


Mariângela Simão é diretora do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde

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