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EDITH MODESTO, FUNDADORA DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PAIS E MÃES DE HOMOSSEXUAIS, CONTA A HISTÓRIA DA INSTITUIÇÃO E PEDE AJUDA PARA DAR CONTINUIDADE A UM DOS PROJETOS DA ENTIDADE


12/07/2007 – 13h50

“Eu estava no armário”. Quando a professora de jornalismo Edith Modesto diz isso, ela não se refere ao móvel caseiro, mas brinca candidamente com uma condição vivida por muitos homossexuais que temem revelar a sua opção (ou preferência) sexual. A mestre e doutora em semiótica pela Universidade de São Paulo (USP), fundadora da Associação Brasileira de Pais e Mães de Homossexuais, entidade conhecida pela sigla GPH (Grupo de Pais de Homossexuais), revela que, no início, sua empreitada “não tinha divulgação”, pois ela “estava no armário”, ou seja, ainda temia aparecer publicamente para falar sobre a questão da diversidade e do homossexualismo. Em 1992, ela descobriu que o caçula dos seus sete filhos era homossexual e, nas suas próprias palavras (acesse o site da organização), ficou “desesperada”. “Eu reagi muito mal, foi péssimo. Eu não queria ter um filho gay”, lembra. “Eu nem pensava nisso. Homossexual existia, mas bem longe ou na TV. Eu não entendia absolutamente nada. É um processo muito difícil pelo qual a gente passa até aceitar que o filho é gay”, avalia Edith Modesto.

Edith Modesto explica que, após saber que um de seus filhos era homossexual, procurou se informar sobre a questão pela Internet. O primeiro contato com militantes do movimento gay foi por meio de um fórum de discussão virtual. “Quem me ajudou no começo foram os próprios homossexuais. Eles foram maravilhosos, só faltou me pegarem no colo”, lembra a professora. “E se tornaram grandes amigos”, acrescenta.

“O início do grupo foi com mães desses rapazes que conversaram comigo na Internet”, afirma Edith Modesto. “Nós erámos quatro mães só”, recorda. “O começo do começo mesmo foi em 1997”, diz. Apenas dois anos mais tarde, em 1999, o grupo começou a crescer, sobretudo porque foi quando Edith teve coragem de expor sua história publicamente, ou seja, sair do “armário”.

Atualmente, a associação reúne “quase duzentos” pais e mães de todo país. Mensalmente, ocorre uma “reunião presencial” em sua própria casa, que fica próxima da Praça Panamericana, na zona oeste de São Paulo. Esses encontros, de acordo com Edith, reúnem, em média, de 30 a 35 pessoas (“mas varia”, ressalta).

“Não é um grupo de socialização. Meu grupo foi fundado para aproximar pais e seus filhos homossexuais”, explica Edith Modesto, sobre o objetivo principal da empreitada que teve início oficial em dezembro de 1997, mas que encorparia somente dois anos mais tarde. “A maioria das mães que falam comigo não entram no grupo”, diz. A professora, que já deu aulas em instituições como Mackenzie e FIAM (Faculdades Integradas Alcântara Machado), considera esse “um trabalho precursor”.

A vanguarda da empreitada é motivo de orgulho, mas, na avaliação de Edith Modesto, também dificulta a obtenção de recursos para dar continuidade ao próprio projeto, já que a sua fundadora não tem dados concretos para apresentar aos possíveis interessados. Além disso, como avaliar se a relação entre pais e filhos homossexuais tornou-se mais saudável? Não há como quantificar isso, explica a professora Edith Modesto.

“Eu falo com mães de todo o país pelo telefone. Gasto muito dinheiro com interurbano”, ressalta. Para ajudar nas despesas, ela pede contribuições, que variam de 10 a 30 reais, aos integrantes da associação.

A fundadora da Associação Brasileira de Pais e Mães de Homossexuais agora busca apoio do poder público. Edith Modesto está animada com a possibilidade de uma parceria com a Coordenadoria de Assuntos de Diversidade Sexual (CADS). Ligada a Secretaria Especial para Participação e Parceria, da Prefeitura de São Paulo, a coordenadoria tem como objetivo “estimular e divulgar toda ação que trate e combate o preconceito relacionado ao homossexual e a todo tipo de orientação sexual que a sociedade possa manifestar” (saiba mais).

Sobre a questão da Aids entre os homossexuais, a professora explica que, em um primeiro momento, não pode “entrar com o assunto HIV no grupo.” “Isso seria maltratar os pais”, avalia. Afinal, explica Modesto, os pais e mães necessitam primeiro aceitar a homossexualidade dos filhos, portanto, não seria prudente tocar em um assunto delicado para indivíduos ainda fragilizados.

Durante entrevista concedida a Agência de Notícias da Aids, Edith Modesto lembrou que também ministra oficinas sobre diversidade em escolas. “Eu tenho facilidade pra entrar nesses meios exatamente porque não sou homossexual”, afirma, referindo-se à resistência de alguns pais quando se tenta abordar o tema em sala de aula. “O normal é a diferença”, conclui.

PROJETO PURPURINA

Casada há 53 anos com o também professor Lauro Modesto, Edith fez questão de falar sobre o “Projeto Purpurina”. A iniciativa, que teve início há apenas 12 dias, nasceu da procura de jovens “interessados em saber como conversar com suas mães e seus pais” sobre a sua homossexualidade, de acordo com texto contido no site da entidade (saiba mais). “O objetivo principal é a socialização. Fazer amigos, sentir que ele não é o único no mundo”, explica.

Ocorrido em 1º de julho, o primeiro encontro do projeto juntou 56 pessoas. Para a próxima reunião, que irá se repetir todo primeiro domingo do mês, Edith Modesto procura um espaço maior, mas acrescenta que o encontro acontecerá de “qualquer jeito”. “Eu preciso de um lugar onde caiba, no mínimo, 100 pessoas”, pede. Na sua opinião, o que atrai os jovens aos encontros promovidos pelo GPH é que a sua fundadora representa a “mãe simbólica, a mãe boa.” “É uma coisa sutil, mas fortíssima emocionalmente”, avalia, didaticamente, a professora Edith Modesto.


Léo Nogueira

DICA PARA ENTREVISTA:

Grupo de Pais de Homossexuais (GPH)
Tel.: (0XX11) 3031-2106
E-mail: maes-de-homos@uol.com.br / edith@gph.org.br
 
:: ARTIGO ::
MENSAGEM DE NATAL - Padre Valeriano Paitoni é pároco da Igreja Nossa Senhora de Fátima do Imirim, membro fundador da Comissão Nacional de DST/Aids da Pastoral da Saúde da CNBB


Padre Valeriano Paitoni

Alegrai-vos porque Deus, o Emmanuel (Deus conosco), saiu do armário e nos garante mais uma vez que se fez carne da nossa carne; seja ela amarela, preta, branca, vermelha, pobre, rica, com saúde, doente, soropositiva, soronegativa, é um de nós, é cada um de nós! Toda vez que celebro o Natal me pergunto: por que não conseguimos ainda assimilar essa verdade do nosso ser?

Como será diferente quando conseguiremos nos aproximar de alguém e aceitá-lo assim como Deus nele quis se manifestar para acreditarmos que Deus é essencialmente "AMOR PURO", não porque ELE é heterossexual ou homossexual, mulher ou homem, mas porque é PERDÃO, MISERICÓRDIA, JUSTIÇA, SOLIDARIEDADE, IGUALDADE. Esses são os 'caminhos do Senhor' que João Batista nos convida a preparar na sua pregação profética.

Sendo Deus fonte do universo, Nele tudo e todos cabemos e, salvos, a Ele voltaremos. A Paz que o natal nos traz não consiste na falta de guerras ou num mundo sem armas, mas no ÁGAPE fraterno que consiste no estar juntos à mesma mesa sem fronteiras nem muros, sem preconceitos nem falsos moralismos que alimentam a cultura da morte e constroem as classes dos bons e dos maus, dos santos e pecadores, dos soropositivos e dos soronegativos...

Padre Valeriano Paitoni é pároco da Igreja Nossa Senhora de Fátima do Imirim, membro fundador da Comissão Nacional de DST/Aids da Pastoral da Saúde da CNBB e presidente da Sociedade Padre Constanzo Dalbézio, mantenedora das Casas de Apoio Siloé e Lar Suzanne, que cuidam de crianças portadoras do HIV/Aids

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