Reportagem do site de notícias UOL (com informações da Agence France Presse) traz o diretor do departamento de HIV/Aids da Organização Mundial da Saúde, Gottfried Hirnschall opinando que um crescente arsenal de remédios poderá, algum dia, pôr fim às novas infecções do HIV. Para o diretor, é necessário encontrar uma maneira de administrar melhor os últimos avanços na área. Nesta segunda-feira, 16 de julho, a Agência Federal de Alimentos de Medicamentos (FDA) dos Estados Unidos anunciou a aprovação do Truvada, do laboratório Gilead Sciences, como primeira pílula para ajudar a prevenir o HIV em alguns grupos de risco.
Gottfried Hirnschall afirmou na reportagem que “as conquistas nas pesquisas e o progresso em alguns países demonstram que é possível avançar muito significativamente na ampliação da resposta e inclui começar a pensar na eliminação das novas infecções".
O mundo tem agora 26 antirretrovirais (conhecidos como ARV) no mercado. Para o diretor da OMS, o arsenal é grande, considerando que os medicamentos são melhores do que costumavam ser, embora ainda não sejam perfeitos.
Os efeitos colaterais continuam sendo uma preocupação e as autoridades estão vigiando cuidadosamente o surgimento de resistências. A OMS se prepara para lançar esta semana seu primeiro relatório global sobre resistência aos medicamentos em países de renda baixa e média.
Antirretroviral como prevenção
A pesquisa sobre o uso dos ARVs como uma maneira de prevenir o HIV nas pessoas saudáveis - também conhecido como `profilaxia pré-exposição` (PrEP), onde se inclui a aprovação do Truvada - mostrou resultados contraditórios. Foram promissores em casais heterossexuais e gays que tomaram as pílulas com diligência. Contudo, um importante estudo em mulheres africanas não mostrou nenhum tipo de proteção dos ARV em comparação com um placebo.
"Isso, provavelmente, será o centro do debate na conferência [Internacional de Aids, que começa no domingo, em Washington]: quando é apropriado iniciar o tratamento e como aproveitar ao máximo as vantagens dos antirretrovirais para a prevenção em um sentido mais amplo", disse Hirnschall.
Para o diretor da OMS, a profilaxia pré-exposição é um enfoque promissor. “Acreditamos que, provavelmente, se transforme em um nicho de intervenção de certos indivíduos nos quais outras prevenções podem não ser acessíveis ou difíceis de implementar. Há muito poucas pílulas mágicas, mas é uma intervenção adicional que poderá se somar ao arsenal de intervenções que temos", acrescentou.