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Em queda no mundo, aids precisa de ações voltadas às populações mais vulneráveis no Brasil, afirmam ativistas
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24/09/2013 - 17h30

Ativistas de luta contra a aids no Brasil comemoram os recentes dados do Unaids que apontam para uma redução dos novos casos da doença no mundo, mas pedem mais ações de prevenção voltada às populações vulneráveis no País, como homens que fazem sexo com homens, jovens e profissionais do sexo.

Segundo o Programa Conjunto das Nações Unidas para o HIV e Aids (Unaids), nos últimos 10 anos, houve uma redução em 33% dos novos casos de aids no mundo. Em 2001, 3,4 milhões de pessoas foram infectadas pelo vírus e, no ano passado, a taxa caiu para 2,3 milhões. Em crianças, a queda foi ainda maior: 52% na última década, contabilizando 260 mil novos casos no ano passado.

Para o diretor do Espaço de Prevenção e Atenção Humanizada (EPAH) de São Paulo, José Araújo Lima, a leitura dos dados do Unaids requer atenção especial para o Brasil. "Os novos casos de aids podem até ter caído no mundo, mas aqui não acredito que houve uma diminuição tão grande assim. Vivemos hoje um retrocesso no enfrentamento da epidemia no País", declarou.

Araújo lembra que a incidência da doença entre os jovens, principalmente homossexuais, tem crescido e há carência de serviços de saúde para atender essa população. “Na periferia de São Paulo, os jovens têm dificuldades até para conseguir preservativo", exemplificou.

O ativista acredita que para mudar essa realidade é preciso investir em novas estratégias de prevenção. "Hoje não conseguimos nem divulgar campanhas para populações vulneráveis", criticou. Ele recomenda ainda uma reestruturação da rede básica de saúde. "A atenção básica precisa reconhecer a prevenção das DSTs como saúde pública... Nossa rede está sucateada e não atende bem os adolescentes e jovens que buscam informações", declarou.

Jô Meneses, uma das coordenadoras da ONG Gestos – Soropositividade, Comunicação e Gênero, do Recife, ressaltou a importância de reforçar as ações de prevenção no Norte e Nordeste brasileiro. "Muitos países investiram no acesso ao tratamento e na prevenção do HIV/aids, por isso os números estão melhores, mas essa não é a realidade do Brasil. Nas regiões Norte e Nordeste, por exemplo, a mortalidade por aids caiu, mas a incidência de infecção continua elevada", apontou.

Para ela, o Brasil tem se esforçado para a cobertura universal do tratamento, mas o investimento em prevenção ainda é baixo. "Nós da Gestos percebemos uma diminuição dos recursos voltados para ações educativas e de prevenção, principalmente para públicos específicos, como HSH (Homens que fazem Sexo com Homens), jovens e profissionais do sexo".

Sobre as novas infecções entre crianças, Jô defende uma análise dos dados por região. "Aqui no Brasil as mulheres do Nordeste não têm o mesmo acesso ao pré-natal quando comparado às mães do Sudeste”, comentou.

A ativista propõe uma política de aids que dialogue com as diferenças regionais e culturais do Brasil e do mundo.

O psicólogo Roberto Pereira, coordenador do Centro de Educação Sexual (CEDUS), do Rio de Janeiro, acredita que "as boas notícias” citadas no relatório do Unaids estão relacionadas aos progressos no acesso ao tratamento. "Comecei a trabalhar contra a aids no início da epidemia e o panorama de hoje não é o mesmo de 20 ou 30 anos atrás... O tratamento ajudou muito a diminuir os índices da doença ", comentou.

Uma das preocupações de Roberto é que haja diminuição de cuidados na prevenção. "Muitas pessoas dizem que existe medicamento, que a cura está próxima, mas precisamos sempre lembrar que ainda muitas pessoas morrem em decorrência da aids”, comentou.

Para o ativista, a informação é a principal arma na luta contra a epidemia. "Não podemos relaxar, o governo precisa criar cada vez mais campanhas e investir em ações especificas voltadas às populações marginalizadas", finalizou.

Talita Martins




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