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Governo de São Paulo anuncia criação de rede de atendimento para HIV/aids. Ativistas e gestores comentam a medida
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02/07/2014 - 20h50

O governo de São Paulo anunciou nesta quarta-feira (2) que pacientes vivendo com HIV/aids no estado passarão a contar com uma rede integrada de tratamento, que tem como meta reduzir o diagnóstico tardio e a mortalidade por aids, aumentar a população testada, eliminar a transmissão vertical (de mãe para filho), aprimorar a assistência integral e as ações de prevenção. O anúncio foi feito pelo secretário de Estado da Saúde de São Paulo, David Uip (no centro, na foto), durante a reinauguração da Casa da Aids, na capital.

“Hoje, o acesso do paciente com HIV aos serviços de saúde é precário. Se ele precisa de uma internação, é o médico vai atrás de uma vaga. Tiramos isso da mão do médico e passamos para a Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde (Cross) " explicou o secretário.

Ainda segundo David, a rede não é só de aids, as hepatites também serão integradas. “A rede de hepatites ainda não está estruturada, como a rede de aids. Então, ao invés de criar uma nova rede, vamos integrar o hepatologista com o infectologista. Se uma boa parte dos pacientes com HIV têm hepatites e outras DSTs, por que não integrar os serviços?", questionou.

Investimentos

Com investimentos de R$ 30 milhões ao ano, dos quais R$20 milhões destinados aos municípios para o fortalecimento da rede ambulatorial e R$10 milhões para campanhas, a nova rede, a ser implantada ao longo do segundo semestre deste ano, vai se estruturar a partir de três frentes de ação: qualificar o atendimento realizado pela rede básica dos municípios, fortalecer os Serviços de Atenção Especializada em HIV/Aids (SAEs) e reorganizar a rede da atenção hospitalar.

“Trata-se de um programa de amplitude total, com objetivo de envolver a atenção básica dos 645 municípios, os 200 SAEs e a rede hospitalar para prevenção, o diagnóstico precoce e a assistência integral ao paciente com HIV/aids”, continuou David.

O ex-governador de São Paulo e candidato ao senado pelo PSDB, José Serra, prestigiou o evento e parabenizou a iniciativa. “Tenho certeza que essa rede trará mais suporte e conforto aos pacientes. Um atendimento qualificado melhora a autoestima das pessoas.”

Alguns ativistas ficaram apreensivos ao tomarem conhecimento das medidas, por acharem que o projeto delega à atenção básica responsabilidades da rede especializada.

“Essa conversa de hierarquizar o atendimento, para mim, não passa de uma enganação”, reagiu Américo Nunes Neto, presidente o Instituto Vida Nova, na zona leste. “Querem é jogar os pacientes na atenção básica mesmo.”

David Uip garantiu, como vem fazendo desde que assumiu a pasta, que isso não vai acontecer. “Enquanto eu for secretário de Saúde, as pessoas vivendo com HIV/aids serão atendidas na rede especializada. A atenção básica é só a porta de entrada."

Rodrigo Pinheiro, presidente do Fórum de Ongs/Aids do Estado de São Paulo (Foaesp), disse que as novas medidas, no geral, são bem-vindas, mas, para serem bem-sucedidas, além da assistência, precisam reforçar a prevenção. David Uip também garantiu que o programa prevê isso. Segundo ele, profissionais de saúde serão capacitados para agirem nas comunidades, disponibilizando informações e testes , não só para HIV mas também para outras DSTs, como a sífilis.

Outro ativista, José Araújo Lima, presidente da ONG Espaço e Prevenção Humanizada (Epah), ficou surpreso com as novidades : “Nós, ativistas, acordamos com essa notícia, não houve discussão do projeto. O que eu tenho são muitas dúvidas. Temo que seja mais um factóide em ano eleitoral. Eles vão contratar médicos para ou remanejar? Se for remenajar, vai ser um desastre, porque os médicos já são poucos e todos com agenda superlotada.”

O secretário não falou em contratação. Defendeu o tempo todo a ideia de reforçar os serviços, usando os médicos que já existem. O projeto prevê também o fortalecimento da rede ambulatorial especializada, com novos recursos destinados aos programas municipais de DST/Aids.

Rodrigo Pinheiro lembrou que um Grupo de Trabalho, dentro da secretaria, tem representação do movimento de aids e participou das discussões do projeto. “Inclusive”, disse Rodrigo. “Muitas das decisões anunciadas são respostas a reivindicações antigas que vimos fazendo há anos, como fortalecer os SAEs e reabrir a Casa da Aids.”

Reorganização dos hospitais

No novo projeto, a rede hospitalar será reorganizada em três níveis de atendimento – unidades estruturantes, estratégicas e de apoio.
As unidades estruturantes vão manter serviços de infectologia com referência para o tratamento de Sarcoma de Kaposi (câncer comum em portadores de aids), cirurgias reparadoras de lipodistrofia (efeito colateral medicamentoso que provoca excesso ou perda de gordura corporal) e apoiar pesquisas científicas.

As unidades estratégicas terão equipes de infectologia capacitadas na rotina hospitalar da doença, no controle, em regime de internação, de infecções oportunistas e no diagnóstico e tratamento de agravos relacionados ao HIV/aids.

Já as unidades de apoio devem realizar internações de pequena e média complexidade ou internações de longa permanência voltadas à assistência e à reabilitação do paciente com HIV/Aids.

O projeto também será integrado à Rede Hebe Camargo de Combate ao Câncer e ao Programa Recomeço, dirigido a dependentes químicos. “Em São Paulo, 30% das pessoas vivendo com HIV têm câncer. Daí, a importância da integração com hospitais especializados em câncer”, disse David.

Mais opiniões


A coordenadora do Programa Estadual de DST/Aids de São Paulo, Maria Clara Gianna, que esteve no evento de reinauguração da Casa da Aids e estreou como mestre de cerimônia, comemorou as novas medidas. "Hoje é um dia especial para nós que trabalhamos contra a aids em São Paulo. Estamos lançando uma linha de cuidado ao portador do HIV e nossa atenção básica será capacitada."

Eliana Gutierrez, diretora do Programa Municipal de DST/Aids de São Paulo festejou a reinauguração da Casa da Aids, da qual foi diretora. Lembrou que a Casa, na verdade, nunca fechou, pois funcionava dentro do Emílio Ribas. “Gosto muito do trabalho da equipe da Casa da Aids, que tem uma natureza de buscar sempre novas tecnologias.”

Quanto à nova rede atendimento, Eliana explicou que ainda não teve tempo de se informar sobre as mudanças. “Mas, de antemão, entendi que vai haver uma expansão do acesso ao tratamento e isso é sempre muito bacana e bem-vindo.”

“Eu ainda não sei exatamente o que essa rede pode mudar para as pessoas vivendo com HIV/aids. Participei de algumas etapas da construção dessa linha de cuidado e acho que o que pode melhorar é o diagnóstico precoce. A integração das redes facilita o acesso das pessoas com HIV”, disse o ativista e representante da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids, Paulo Giacomini.

O professor do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Mário Scheffer, também comemorou. “Hoje, nossa rede está sobrecarregada e com dificuldades. Com a oferta do tratamento antecipado, novos pacientes serão integrados nessa rede. Nesse sentido, é importante que os serviços sejam cada vez mais integrados. Mas mais importante é ter dotação orçamentária para dar continuidade ao trabalho.”

Esper Kallas, infectologista, professor da Faculdade de Medicina da USP e pesquisador e Zarifa Khoury, professora, infectologista do Hospital Emílio Ribas e do Programa Municipal de DST/Aids disseram que as medidas de integração já estão ou deveriam estar funcionando dentro da estrutura de atendimento.
“Afinal, o SUS é uma rede única, né?”, questionou Kallas. “Mas o programa é bom na medida em que reafirma a importância da interação entre as especialidades no atendimento às pessoas vivendo com HIV/aids.”

“Eu acho importante ampliar a interação e melhorar o atendimento na atenção primária. E isso se faz com treinamento dos profissionais. Se acontecer isso, já vai ser bom”, disse Zarifa

Redação da Agência de Notícias da Aids





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