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Sou mulher, negra, e tenho HIV. Mas não sou só isso, tenho sonhos, uma história de vida, sou alguém importante.
20/11/2008 - 14h
“ Há um tempo atrás eu também estava obesa, ou seja, o preconceito em pessoa”, diz com bom humor, Marilene Ferreira, 38 anos, agente de prevenção do SAE Betinho (Serviço de Atendimento Especializado em HIV/Aids) de São Paulo.“Mas o preconceito maior eu acho que é contra a mulher. Desde pequena eu ouvia: estudar pra quê, se vai cuidar do tanque e dos filhos?” reclama a moça, ressaltando que a sociedade não permite grandes sonhos para as mulheres e faz muitas cobranças. “Hoje ficam repetindo que eu deveria me casar de novo. Para que, se estou bem sozinha?", ela questiona.
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| 8º Encontro de Relações Humanas em HIV/AIDS |
| Data: 28/11/2008 até 30/11/2008 |
| A realização do 8º Encontro de Relações Humanas em HIV/AIDS tem por principio dar continuidade aos encontros apresentando temas de interesse às pessoas vivendo e convivendo com HIV/AIDS, no que se refere à melhoria da qualidade de assistência, prevenção das DST/AIDS, Controle Social e conseqüentemente... |
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| Eu acredito! |
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Cida Lemos
Eu acredito que estamos construindo uma nova sociedade, mais igualitária, em que todas as pessoas independentes de sua cor terão oportunidades iguais e direitos respeitados.
Infelizmente ainda estamos longe dessa realidade. O que vemos todos os dias é a desigualdade e a falta de respeito principalmente com as mulheres negras. No mercado de trabalho elas recebem remuneração inferior realizando a mesma tarefa - poucas ocupam cargos de chefia. Nas lojas não são aprovadas como vendedoras e nas empresas lhes são oferecidas vagas em serviços menos gabaritados. Poderíamos citar inúmeras arbitrariedades que são cometidas contra a mulher negra.
Porém, a mais cruel violência ocorre nos sistema de saúde, onde qualquer pessoa chega fragilizada. A mulher negra sofre constrangimentos e vê desrespeitados seus direitos. Fica totalmente vulnerável porque são em sua maioria mulheres pobres, de pouca escolaridade, que por desconhecimento ou mesmo por medo se calam e voltam para seus lares com as dúvidas e as dores físicas agravadas pela certeza que muitas coisas necessitam ser mudadas, mas poucas conseguem forças para promoverem essas mudanças. Daí a necessidade de termos um dia especial para reflexão, para lembrar homens e mulheres que falaram e lutaram por seus irmãos que não tinham voz e que continuam lutando por aqueles que ainda não perceberam que sua fala pode ser ouvida, que seus sonhos podem ser realizados, que seus deveres e direitos devem ser respeitados e que um dia não precisaremos mais de cotas.
Representandte das Cidadãs Posithivas/RJ; Conselheira do CEDIM/RJ (Conselho Estadual dos Direitos da Mulher)
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