|
|
 |
| III MOSTRA NACIONAL SAÚDE E PREVENÇÃO NAS ESCOLAS: JOVENS SOROPOSITIVOS CONTAM QUE OS PORTADORES DO HIV AINDA SOFREM MUITO PRECONCEITO |

Antônio Carlos Lobo, Karina Ferreira da Cruz, Edson Silva Santos e Daniela Ligiéro (UNICEF), que coordenou o debate, participam de mesa redonda
24/06/2008 – 17h40
Crianças e adolescentes soropositivos ainda sofrem muito preconceito. A opinião é de dois integrantes da Rede de Jovens Vivendo com HIV/Aids. Na tarde desta terça-feira (24/06), Karina Ferreira da Cruz e Edson Silva Santos relataram que o estigma em relação aos soropositivos ainda é comum. Eles participaram de uma mesa redonda intitulada "Viver e Conviver com HIV/Aids: Reduzindo Estigma e Discriminação”, que integra a programação oficial da III Mostra Nacional Saúde e Prevenção nas Escolas. O evento, que acontece em Florianópolis, capital de Santa Catarina, termina nesta quarta-feira (25/06). “Ainda há mesmo o estigma”, garantiu Karina Ferreira da Cruz. O professor Antônio Carlos Lobo, que também participou da mesa, concordou com os jovens. “Por causa da falta de informação ocorre a discriminação”, afirmou o docente de Roraima, estado da região Norte do país. “A escola não está cumprindo seu papel ainda”, ressaltou. A sala onde foi realizada a mesa, nas dependências do Centro de Cultura e Eventos da Universidade Federal de Santa Catarina, ficou lotada. O debate foi coordenado por Daniela Ligiéro, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).
Para Edson Silva Santos, uma maneira de reduzir o preconceito seria treinando melhor os jovens ligados ao programa Saúde e Prevenção nas Escolas (SPE). Na sua avaliação, fruto de experiência pessoal com esses jovens, eles “com certeza não estavam capacitados para lidar com alguém com HIV.”
Ele também defendeu que os próprios soropositivos participem desse processo. “Eu reforço isso: que mais jovens que vivem com HIV/Aids sejam capacitados”, disse Edson Silva Santos.
“A partir do momento que eu tomei conhecimento que eu vivia com HIV, tudo mudou”, contou Karina Ferreira da Cruz aos presentes. “Quando se fala de HIV, se esquece do viver com HIV”, explicou.
A jovem lembrou que embora os medicamentos tenham prolongado e dado mais qualidade de vida aos soropositivos, ainda existem muitas dificuldades. Por exemplo, ela citou os efeitos colaterais e a necessidade de adesão tratamento.
Léo Nogueira*
*A Agência de Notícias da Aids cobre o evento com o apoio do Programa Nacional de DST/Aids e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF)
DICA DE ENTREVISTA
Escritório da Representação do UNICEF no Brasil
Tel.: (0XX61) 3035-1900
E-mail: brasilia@unicef.org
Programa Nacional de DST/Aids
Assessoria de Imprensa
Tel.: (0XX61) 3448-8100
 |
|
 |
|
|
 |

|
 |
| Do preconceito, ou como eu virei “o outro” |
 |
Por Ricardo Tapajós
A infecção pelo HIV entrou para a história da raça humana na década de 80. Doença de fim de século. Aspirava, como toda boa doença, a ser um fenômeno “biomédico-virológico-imunológico-epidemiológico”, abordável por conhecimento e método científicos, e redutível a um quadro clínico, uma fisiopatogenia, uma terapêutica.
Mas as doenças, como sabemos há muito, são fenômenos da experiência humana e vêm recheadas de significados, símbolos, metáforas e valores.
A infecção pelo HIV, em pleno furor pós-moderno, virou uma grande epidemia de discursos, daquele tipo de discurso que ao ser discursado quer construir uma verdade. Geralmente míope. Assim, a doença foi construída por discursos dominantes, de governo, de igreja, de cientistas, de políticos, como uma doença do outro, nunca de nós mesmos. O outro, mas nunca nós, é o homem que faz sexo com homens, é a trabalhadora do sexo, é o imoral, o promíscuo, o adúltero, o estrangeiro, o pecador, aquele que desvia.
Em 2010, após 30 anos de discursos identitários, vejo indeferido meu pedido de colocar meu marido, com quem convivo em relação estável há mais de 6 anos, com declaração lavrada em cartório e tudo, como co-titular de um clube na cidade de São Paulo. Do clube que é meu clube desde que nasci. Do clube que deferiu um a um os pedidos de meus colegas do sexo masculino de colocar suas concubinas (é o termo da lei, quando não há casamento) em seus títulos familiares.
Ricardo Tapajós é infectologista e professor na Faculdade de Medicina da USP. |
|
|
|