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| NO ENCERRAMENTO DA III MOSTRA NACIONAL SAÚDE E PREVENÇÃO NAS ESCOLAS, JOVENS FAZEM MANIFESTAÇÃO REIVINDICANDO MAIOR PARTICIPAÇÃO DOS SOROPOSITIVOS NO PROGRAMA SAÚDE E PREVENÇÃO NAS ESCOLAS |
A paulista Micaela Carolina deu início ao protesto que marcou o fim da III Mostra Nacional Saúde e Prevenção nas Escolas
25/06/2008 – 17h40
Uma manifestação silenciosa marcou o encerramento da III Mostra Nacional Saúde e Prevenção nas Escolas, que aconteceu em Florianópolis, capital de Santa Catarina. Jovens soropositivos reivindicaram, na tarde desta quarta-feira (25/06), maior participação nas ações e estratégias do programa Saúde e Prevenção nas Escolas (SPE). Durante a mesa que finalizou o evento, Micaela Carolina deu início ao protesto. No momento em que ia fazer um balanço da Mostra, ao invés de falar, a jovem tampou a própria boca com uma espécie de mordaça na qual estava inscrito “HIV+”. Ela foi seguida por outros adolescentes que subiram, em silêncio, ao palco do auditório principal do Centro de Cultura e Eventos da Universidade Federal de Santa Catarina. Após alguns minutos de silêncio, Edson Silva Santos, integrante da Rede de Jovens Vivendo com HIV/Aids, leu um manifesto exaltando qualidades do SPE, mas reivindicando maior participação no projeto do governo federal.
“O SPE é um grande programa no qual acreditamos”, disse Edson Silva Santos. Exatamente por isso, explicou o jovem, a participação dos adolescentes soropositivos no projeto é tão importante. “Estamos aqui para reivindicar uma maior participação dos jovens com HIV”, cobrou. “Sentimos na pele a violência arrasadora do preconceito”, relatou o soropositivo Edson Silva Santos.
O jovem já tinha reclamado da discriminação sofrida pelos soropositivos na tarde de terça-feira (24/06), durante mesa redonda intitulada "Viver e Conviver com HIV/Aids: Reduzindo Estigma e Discriminação.” Na ocasião, Edson Silva Santos também defendeu que mais portadores do HIV fossem capacitados para o trabalho de prevenção às doenças sexualmente transmissíveis (saiba mais).
Daniela Ligiéro, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), elogiou a manifestação dos jovens. O UNICEF é uma das entidades que organizou o evento. “Pra todos os jovens que subiram aqui [no palco] fica uma admiração muito grande da minha parte”, afirmou. “Eu espero que a gente vá construindo novos caminhos pro SPE”, disse Daniela Ligiéro.
Léo Nogueira*
*A Agência de Notícias da Aids cobre o evento com o apoio do Programa Nacional de DST/Aids e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF)
DICA DE ENTREVISTA
Escritório da Representação do UNICEF no Brasil
Tel.: (0XX61) 3035-1900
E-mail: brasilia@unicef.org
Programa Nacional de DST/Aids
Assessoria de Imprensa
Tel.: (0XX61) 3448-8100
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| Da ampliação do diagnóstico ao fortalecimento da prevenção |
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Por Mariângela Simão
O ano de 2009 foi um marco no enfrentamento da epidemia do HIV/aids no Brasil. Começou com a proposta de ampliação do diagnóstico do vírus em vários segmentos da população. Para isso, colocou em destaque o teste rápido, que agora é 100% nacional. O método reduz o tempo de espera – o resultado sai em menos de 30 minutos –, pode chegar a locais de difícil acesso ou sem estrutura laboratorial.
Ao longo do ano, foram encaminhados ao 26 estados e ao Distrito Federal quase dois milhões de dispositivos para realizar os testes rápidos. Trata-se do recorde anual, desde que a nova metodologia foi adotada pelo programa de aids brasileiro em 2005 para diagnóstico na população geral. Para se ter ideia, o quantitativo do ano passado é quase quatro vezes maior que no lançamento, há cinco anos. Essa ampliação foi um compromisso assumido pelo ministro José Gomes Temporão por ocasião do Dia Mundial de Luta contra a Aids de 2008.
Nunca é demais lembrar que uma parte importante dos diagnósticos de aids é feita tardiamente, quando o sistema imunológico das pessoas já está comprometido.
Outro destaque importante do ano foi o anúncio da maior pesquisa sobre conhecimentos, atitudes e práticas sexuais da população brasileira. A boa notícia é que a camisinha vem se tornando uma grande companheira dos casais no início da vida sexual. Em 2008, 61% dos jovens entrevistados afirmaram tê-la usado na primeira relação. Na pesquisa de 2004, esse índice era de 53%. O problema é que ao longo da vida o preservativo vai sendo deixado de lado. O estudo mostrou que os jovens fazem mais sexo protegido do que os mais velhos. 49,6% das pessoas entre 15 e 24 anos afirmaram ter usado preservativo em todas as relações sexuais com parceiros casuais, nos últimos 12 meses. No grupo entre 50 e 64 anos, esse percentual cai para 32%.
Um dado da PCAP que chama a atenção é que a internet tem sido um meio utilizado pelos jovens para conhecer parceiros. A pesquisa mostra que 10,5% teve pelo menos um parceiro sexual que conheceu na rede mundial de computadores. Entre os acima dos 50 anos, esse tipo de comportamento não chega a 2%.
A comparação dos resultados dos resultados de 2004 com os de 2008 nos acendeu um alerta. O brasileiro tem feito mais sexo casual. Em 2004, 4% das pessoas haviam tido mais de cinco parceiros casuais no ano anterior. Em 2008, esse índice subiu para 9,3%. Ao lado disso, o estudo mostra que quem tem mais parceiros casuais usa mais camisinha do que quem não tem. O conhecimento sobre os riscos de se infectar com o HIV e sobre as formas de prevenção continuam altos. Mesmo assim, a pesquisa identificou tendência de queda no uso do preservativo. Passou de 51,6% em todas as parcerias eventuais, em 2004, para 46,5% em 2008.
Mariângela Simão é diretora do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde |
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