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| Em parceria inédita, Igreja Católica e Ministério da Saúde se unem contra a aids |
 Cartaz da campanha de testagem lançada nesta quinta pela Igreja Católica e Ministério da Saúde
22/10/2009 - 19h
Alheia à polêmica de não defesa do uso da camisinha e numa ação inédita no Brasil, a Igreja Católica lançou nesta quinta-feira (22) uma campanha para incentivar os fiéis a procurarem o serviço público de saúde e fazerem o teste para aids – na população em geral – e sífilis – entre gestantes. Numa parceria com o Ministério da Saúde, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) vai mobilizar pastorais, movimentos religiosos, párocos e todos os seus meios de comunicação, como rádio, TV e jornais, para orientar sobre a necessidade de realização dos exames como forma de controle da infecção das duas doenças e de seus tratamentos.
A estratégia da campanha de estimular a testagem para HIV, de acordo com o secretário-geral da CNBB, Dom Dimas Lara Barbosa, é orientar os fiéis que por ventura estejam infectados pelo vírus a iniciarem o quanto antes o tratamento e manutenção de uma melhor qualidade de vida. Nos casos com resultados negativos, para que redobrem o cuidado.
A campanha começa gradativamente a partir do próximo dia 29 de outubro com um projeto piloto em cinco capitais – Curitiba, Porto Alegre, João Pessoa, Fortaleza e Manaus, respectivamente –, e será liderada pelas pastorais da Aids, da Juventude e a da Criança. A idéia é posteriormente estender ao restante do país a partir de acordos com os órgãos municipais. Capitais de grande porte, como São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo, ficaram de fora, segundo a CNBB, pela inviabilidade inicial de uma estratégia piloto.
Serão distribuídos folders, cartazes e veiculados spots de rádio direcionados a homens, mulheres e gestantes. Nas missas, nos movimentos pastorais e nos demais movimentos religiosos, a Igreja Católica irá incentivar os cidadãos a procurar um serviço de saúde pública para realização dos testes gratuitos com a garantia de sigilo nos resultados. “Quanto mais a sociedade civil se mantiver organizada, quem sai ganhando é a população”, avaliou dom Dimas.
O líder da CNBB preferiu não associar à campanha às críticas recebidas pela igreja por não estimular os seus fiéis ao uso do preservativo como forma de prevenção ao vírus da aids. “As coisas não se misturam. A igreja sempre trabalha com as suas metodologias próprias e na promoção dos valores do amor, da família e da fidelidade”, emendou ele. “Vamos continuar defendendo essa frente e o ministério (da Saúde) fará o seu trabalho”.
O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, também preferiu não polemizar sobre as divergências do ministério e da Igreja Católica quanto ao uso da camisinha. “Viemos comungar das nossas convergências, não das nossas divergências”, disse, repetidas vezes, quando questionado se o estímulo ao uso do preservativo foi colocado em pauta com a CNBB.
O mote da campanha é o “amor” próprio e pelo outro. Com publicidades direcionadas, o chamado direcionado aos homens é “Se cuide: faça o teste de aids”. Para mulheres, o tema é “Declare seu amor por você: faça o teste de aids”. Já entre a gestantes, o alerta será “Declare seu amor por você e pelo seu bebê: faça o teste de aids e de sífilis”.
O Ministério da Saúde anunciou também a aprovação de uma portaria em que permitirá a coleta de exames de sangue para teste através de papel filtro absorvente. A inovação possibilitará que, em municípios onde não há laboratórios especializados para exame, o sangue coletado nos postos de saúde seja encaminhado pelos Correios.
Números
Dados do Ministério da Saúde apontam que de 1980 até junho de 2008, foram identificados 333.485 casos de aids entre homens no Brasil e 172.995 entre mulheres. A diferença de infecção entre sexos é outro dado alarmante e que tem diminuído no país: enquanto em 1986 haviam 15 homens infectados para uma mulher, em 2007 eram 15 casos masculinos para 10 femininos. No sexo masculino, na categoria exposição sexual, há maior transmissão entre heterossexuais (44,5%) e na categoria sanguínea, a transmissão é maior entre usuários de drogas injetáveis (7,7%).
Já a sífilis na gravidez tem um índice de transmissão vertical (da gestante para o bebê) que varia de 30% a 70%, dependendo do estágio da doença. Mães soropositivos podem aumentar suas chances de terem filhos não infectados pelo HIV se forem orientadas corretamente e seguirem o tratamento recomendado durante o pré-natal. Cerca de 40% dos casos de sífilis congênita podem resultar em aborto ou morte do recém-nascido.
Hédio Ferreira Júnior, de Brasília
Especial para a Agência de Notícias da Aids
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| Enfrentar as hepatites tem que ser prioridade do Governo |
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Por Jeová Pessin Fragoso
As hepatites virais, principalmente as dos tipos B e C, tornaram-se na atualidade uma das maiores preocupações de saúde publica, e tem tirado a qualidade de vida, quando não a própria vida, de um número alarmante de brasileiros. Segundo estimativas da OMS (Organização Mundial da Saúde), cerca de 5 milhões de pessoas estão infectadas com esses vírus no Brasil.
Portador da hepatite C, presido o Grupo Esperança, que tem apoiado as pessoas com hepatites da Baixada Santista, litoral de São Paulo. São mais de 3 mil portadores de hepatites, residentes em nove municípios da região e filiados ao nosso grupo.
Jeová Pessin Fragoso é Presidente do Grupo Esperança, de Santos. |
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