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A educomunicação pode contribuir para que jovens se previnam das DSTs e da aids, afirma professor da USP Ismar de Oliveira Soares

Com a educomunicação – conceito que relaciona comunicação e educação por meio de ações práticas - os jovens confrontam projetos de vida e aprendem a desenvolver a responsabilidade. É dessa maneira que o coordenador e fundador do Núcleo de Comunicação e Educação da Universidade de São Paulo (NCE-USP), Ismar de Oliveira Soares, acredita que ações na área podem contribuir para que jovens se previnam das DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis) e da aids. Na manhã desta sexta-feira (4), Ismar participou da Mostra Saúde Educação 2009, realizada durante o 1º Encontro Paulista de Prevenção e Controle das DST/Aids, na cidade de São Paulo. Saiba mais.

“A educação, por natureza, é comunicativa, enquanto a comunicação, por natureza, é educativa. Existe uma relação íntima entre as áreas”, completou Ismar, que é jornalista, doutor em Comunicação pela USP, com pós-doutorado pela Marquette University (USA).

Segundo ele, a educomunicação parte do pressuposto do exercício do direito de todos à expressão e à comunicação. “A criança, por exemplo, tem o poder de editar imagens, escrever um texto, construir significados, articular conhecimentos. É diferente do que acontece nos meios de comunicação de massa tradicionais”, explicou.

Ismar convidou dois jovens da Revista Viração para falarem sobre suas experiências. A revista foi criada em 2003 com o objetivo de unir jovens e adolescentes de todo Brasil em torno de princípios como a defesa dos direitos humanos, a educação para a paz e a pluralidade étnica e racial. Nesse projeto, que está ligado ao NCE, os próprios jovens colaboram em todo o processo.

“Não é preciso grandes recursos para a gente se comunicar. Nós, jovens, podemos nos apropriar das ferramentas de comunicação, principalmente com as novas tecnologias”, disse Rafael Siva, que integra e equipe da revista.

Micaela Cyrino, que colabora com a Escuta Soh - produção anual da Revista Viração que trata especificamente sobre questões relacionadas a HIV/aids – afirmou que a participação do jovem também é priorizada nessa publicação. “A gente prefere falar pela gente.” A ideia da Escuta Soh surgiu em 2007, no Encontro nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV/Aids de 2007.

Serviço

O 1º Encontro Paulista de Prevenção e Controle das DST/Aids ocorre até o dia 6 no Hotel Bourbon Convention (Av. Ibirapuera, 2927, Moema). A organização é da Coordenação Estadual de DST/Aids de São Paulo.


Fábio Serrato


Dica de Entrevista

Ismar de Oliveira – NCE/USP
E-mail via site : www.usp.br/nce

Revista Viração
Tel.: (0XX11) 3237-4091

Coordenação Estadual de DST/Aids de São Paulo
Assessoria de Imprensa
Tel.:( 0XX11) 5087-9835





Da ampliação do diagnóstico ao fortalecimento da prevenção
Por Mariângela Simão

O ano de 2009 foi um marco no enfrentamento da epidemia do HIV/aids no Brasil. Começou com a proposta de ampliação do diagnóstico do vírus em vários segmentos da população. Para isso, colocou em destaque o teste rápido, que agora é 100% nacional. O método reduz o tempo de espera – o resultado sai em menos de 30 minutos –, pode chegar a locais de difícil acesso ou sem estrutura laboratorial.

Ao longo do ano, foram encaminhados ao 26 estados e ao Distrito Federal quase dois milhões de dispositivos para realizar os testes rápidos. Trata-se do recorde anual, desde que a nova metodologia foi adotada pelo programa de aids brasileiro em 2005 para diagnóstico na população geral. Para se ter ideia, o quantitativo do ano passado é quase quatro vezes maior que no lançamento, há cinco anos. Essa ampliação foi um compromisso assumido pelo ministro José Gomes Temporão por ocasião do Dia Mundial de Luta contra a Aids de 2008.
Nunca é demais lembrar que uma parte importante dos diagnósticos de aids é feita tardiamente, quando o sistema imunológico das pessoas já está comprometido.

Outro destaque importante do ano foi o anúncio da maior pesquisa sobre conhecimentos, atitudes e práticas sexuais da população brasileira. A boa notícia é que a camisinha vem se tornando uma grande companheira dos casais no início da vida sexual. Em 2008, 61% dos jovens entrevistados afirmaram tê-la usado na primeira relação. Na pesquisa de 2004, esse índice era de 53%. O problema é que ao longo da vida o preservativo vai sendo deixado de lado. O estudo mostrou que os jovens fazem mais sexo protegido do que os mais velhos. 49,6% das pessoas entre 15 e 24 anos afirmaram ter usado preservativo em todas as relações sexuais com parceiros casuais, nos últimos 12 meses. No grupo entre 50 e 64 anos, esse percentual cai para 32%.

Um dado da PCAP que chama a atenção é que a internet tem sido um meio utilizado pelos jovens para conhecer parceiros. A pesquisa mostra que 10,5% teve pelo menos um parceiro sexual que conheceu na rede mundial de computadores. Entre os acima dos 50 anos, esse tipo de comportamento não chega a 2%.

A comparação dos resultados dos resultados de 2004 com os de 2008 nos acendeu um alerta. O brasileiro tem feito mais sexo casual. Em 2004, 4% das pessoas haviam tido mais de cinco parceiros casuais no ano anterior. Em 2008, esse índice subiu para 9,3%. Ao lado disso, o estudo mostra que quem tem mais parceiros casuais usa mais camisinha do que quem não tem. O conhecimento sobre os riscos de se infectar com o HIV e sobre as formas de prevenção continuam altos. Mesmo assim, a pesquisa identificou tendência de queda no uso do preservativo. Passou de 51,6% em todas as parcerias eventuais, em 2004, para 46,5% em 2008.


Mariângela Simão é diretora do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde

 
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