Agência de Notícias da Aids
 
 
  Home
  Notícias
 
BUSCA
[ buscar ]
  Artigos
  Eventos
  Eventos América Latina
  Ong`s
  Biblioteca
  Dicionário
  Fique por dentro
  Cadastre-se
  Fale Conosco
 
 
 
Fundação apoiará gestão do Emílio Ribas , destaca Estadão

14/11/2009 - 11h30

O jornal O Estado de S.Paulo deste sábado (14) destaca que o Instituto de Infectologia Emílio Ribas em São Paulo vai passar a ter apoio da Fundação Faculdade de Medicina em sua gestão. Segundo o diretor da instituição, David Uip, o atendimento continuará 100% destinado aos pacientes do Sistema Único de Saúde. Veja a reportagem a seguir.

Fundação apoiará gestão do Emílio Ribas

Atuação na unidade de infectologia ainda será definida; diretor promete transparência

Fabiane Leite

O governador José Serra (PSDB) autorizou ontem que a Fundação Faculdade de Medicina passe a apoiar a gestão do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, unidade referência em doenças infecciosas no Brasil. A atuação de fundações de apoio já ocorre em outros hospitais de ensino do Estado, como o Instituto do Coração, ligado à Faculdade de Medicina da USP, e está presente em várias faculdades da universidade.

Segundo o diretor do instituto, David Uip, o atendimento continuará 100% destinado aos pacientes do Sistema Único de Saúde. Ele destacou que ainda não está definido de que forma se dará o apoio à gestão do hospital e que não haverá prejuízo aos funcionários. A fundação já auxiliou emergencialmente na contratação de funcionários para a unidade durante a epidemia de gripe suína, no início deste ano, exemplificou. "Defendo que a parceira das fundações seja com transparência, para garantir eficiência e agilidade."

As fundações de apoio, segundo a administração, permitem agilidade e melhorias na gestão, pois podem realizar contratações sem concursos públicos e com salários diferenciados, além de realizar compras de maneira mais rápida, sem licitações. No entanto, têm a desconfiança de entidades representantes do funcionalismo, entre outras, que apontam risco de descontrole sobre as verbas públicas repassadas e de tratamento diferenciado e desvios em contratações. Dívidas da Fundação Zerbini, que apoia a gestão do Incor, chegaram a ameaçar a manutenção do atendimento no hospital em 2005. "O fato de o hospital sempre ter sido de administração direta, sem fundação, não impediu que se tornasse um centro de referência. ", diz Ângelo D"Agostini, do Sindicato dos Trabalhadores Públicos da Saúde.

O convênio prevê que além da fundação, a Faculdade de Medicina da USP e o Hospital das Clínicas da universidade participem da "operacionalização da gestão e execução das ações e serviços de saúde ensino e pesquisa" do instituto.

Segundo Uip, a participação da faculdade de Medicina e do hospital permitirá trazer para dentro da unidade tecnologias como cirurgias reparadoras para pacientes com HIV e novas linhas de pesquisas sobre a doença. "A ideia é juntar a expertise e nos tornarmos um centro mundial de referência", defende o infectologista, que quer ainda mais espaço para o tratamento de outras doenças infecciosas."Se houver mudança na gestão, vemos como muita preocupação, pois o governo prometeu que não faria isto", afirmou Rodrigo Pinheiro, do Fórum de ONGs que defendem pessoas com o HIV.

Fonte: O Estado de S.Paulo





Do preconceito, ou como eu virei “o outro”

Por Ricardo Tapajós 



A infecção pelo HIV entrou para a história da raça humana na década de 80. Doença de fim de século. Aspirava, como toda boa doença, a ser um fenômeno “biomédico-virológico-imunológico-epidemiológico”, abordável por conhecimento e método científicos, e redutível a um quadro clínico, uma fisiopatogenia, uma terapêutica.

Mas as doenças, como sabemos há muito, são fenômenos da experiência humana e vêm recheadas de significados, símbolos, metáforas e valores. A infecção pelo HIV, em pleno furor pós-moderno, virou uma grande epidemia de discursos, daquele tipo de discurso que ao ser discursado quer construir uma verdade. Geralmente míope. Assim, a doença foi construída por discursos dominantes, de governo, de igreja, de cientistas, de políticos, como uma doença do outro, nunca de nós mesmos. O outro, mas nunca nós, é o homem que faz sexo com homens, é a trabalhadora do sexo, é o imoral, o promíscuo, o adúltero, o estrangeiro, o pecador, aquele que desvia.

Em 2010, após 30 anos de discursos identitários, vejo indeferido meu pedido de colocar meu marido, com quem convivo em relação estável há mais de 6 anos, com declaração lavrada em cartório e tudo, como co-titular de um clube na cidade de São Paulo. Do clube que é meu clube desde que nasci. Do clube que deferiu um a um os pedidos de meus colegas do sexo masculino de colocar suas concubinas (é o termo da lei, quando não há casamento) em seus títulos familiares.

Ricardo Tapajós é infectologista e professor na Faculdade de Medicina da USP.


 
  © 2010 - Agência de Notícias da Aids - Todos direitos reservados