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Ativistas de São Paulo são contra apoio de Fundação na gestão do Emílio Ribas

14/11/2009 - 12h10

O jornal O Estado de S.Paulo deste sábado (14) destaca que o Instituto de Infectologia Emílio Ribas (IIER)vai passar a ter apoio da Fundação Faculdade de Medicina em sua gestão (saiba mais). Ativistas ouvidos pela Agência de Notícias da Aids durante o 15º Enong (Encontro Nacional de Ongs/Aids) disseram ser contra a iniciativa. “O Emílio Ribas é um patrimônio e símbolo de resistência contra a aids, por isso, sempre defendemos a administração direta da instituição”, disse o militante Mário Scheffer, do Grupo Pela Vidda de São Paulo.

De acordo com a publicação deste sábado, o governador José Serra (PSDB) autorizou nesta última sexta o apoio da Fundação dentro do IIER. “Entendemos que nem o Emílio Ribas vai escapar da fragmentação do SUS que já ocorre em São Paulo”, criticou Scheffer. “Houve a portaria que autorizava instituições mais antigas a serem controladas ou apoiadas por fundações, mas não esperávamos que isso fosse acontecer tão rapidamente. Isso precisa de um profundo debate com a sociedade civil”.

Para o presidente do Fórum de ONG/Aids de São Paulo, Rodrigo Pinheiro, a notícia foi uma surpresa. “Nas reuniões com o diretor David Uip, ele prometeu que isso não aconteceria”, disse.

Já Jorge Beloqui, ativista do Grupo de Incentivo à Vida (GIV), a iniciativa torna ainda mais difícil a implantação de conselho gestor no local. “O governador Serra nunca gostou de conselhos gestores e isso também é uma forma de afastar ainda mais essa ideia no IIER”, declarou.

Segundo a administração em entrevista ao Estadão, as fundações de apoio permitem agilidade e melhorias na gestão, pois podem realizar contratações sem concursos públicos e com salários diferenciados, além de realizar compras de maneira mais rápida, sem licitações. Por enquanto, a atuação na unidade de infectologia ainda será definida.

Em reunião no primeiro semestre deste ano com ativistas, David Uip havia prometido estudar a implantação de conselho gestor no local e garantiu que o IIER não perderia autonomia (saiba mais).


Rodrigo Vasconcellos


Dica de Entrevista

Fórum de ONG/AIDS do Estado de São Paulo –
Tel: (0XX11) 3334–0704

Grupo de Incentivo à Vida (GIV)
Tel.: (0XX11) 5084-0255

Grupo Pela Vidda (SP)
Mário Scheffer
Tel.: (0XX11) 3258-7729





Da ampliação do diagnóstico ao fortalecimento da prevenção
Por Mariângela Simão

O ano de 2009 foi um marco no enfrentamento da epidemia do HIV/aids no Brasil. Começou com a proposta de ampliação do diagnóstico do vírus em vários segmentos da população. Para isso, colocou em destaque o teste rápido, que agora é 100% nacional. O método reduz o tempo de espera – o resultado sai em menos de 30 minutos –, pode chegar a locais de difícil acesso ou sem estrutura laboratorial.

Ao longo do ano, foram encaminhados ao 26 estados e ao Distrito Federal quase dois milhões de dispositivos para realizar os testes rápidos. Trata-se do recorde anual, desde que a nova metodologia foi adotada pelo programa de aids brasileiro em 2005 para diagnóstico na população geral. Para se ter ideia, o quantitativo do ano passado é quase quatro vezes maior que no lançamento, há cinco anos. Essa ampliação foi um compromisso assumido pelo ministro José Gomes Temporão por ocasião do Dia Mundial de Luta contra a Aids de 2008.
Nunca é demais lembrar que uma parte importante dos diagnósticos de aids é feita tardiamente, quando o sistema imunológico das pessoas já está comprometido.

Outro destaque importante do ano foi o anúncio da maior pesquisa sobre conhecimentos, atitudes e práticas sexuais da população brasileira. A boa notícia é que a camisinha vem se tornando uma grande companheira dos casais no início da vida sexual. Em 2008, 61% dos jovens entrevistados afirmaram tê-la usado na primeira relação. Na pesquisa de 2004, esse índice era de 53%. O problema é que ao longo da vida o preservativo vai sendo deixado de lado. O estudo mostrou que os jovens fazem mais sexo protegido do que os mais velhos. 49,6% das pessoas entre 15 e 24 anos afirmaram ter usado preservativo em todas as relações sexuais com parceiros casuais, nos últimos 12 meses. No grupo entre 50 e 64 anos, esse percentual cai para 32%.

Um dado da PCAP que chama a atenção é que a internet tem sido um meio utilizado pelos jovens para conhecer parceiros. A pesquisa mostra que 10,5% teve pelo menos um parceiro sexual que conheceu na rede mundial de computadores. Entre os acima dos 50 anos, esse tipo de comportamento não chega a 2%.

A comparação dos resultados dos resultados de 2004 com os de 2008 nos acendeu um alerta. O brasileiro tem feito mais sexo casual. Em 2004, 4% das pessoas haviam tido mais de cinco parceiros casuais no ano anterior. Em 2008, esse índice subiu para 9,3%. Ao lado disso, o estudo mostra que quem tem mais parceiros casuais usa mais camisinha do que quem não tem. O conhecimento sobre os riscos de se infectar com o HIV e sobre as formas de prevenção continuam altos. Mesmo assim, a pesquisa identificou tendência de queda no uso do preservativo. Passou de 51,6% em todas as parcerias eventuais, em 2004, para 46,5% em 2008.


Mariângela Simão é diretora do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde

 
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