|
|
 |
| POPULAÇÃO DE JERICÓ, PARAÍBA, DEIXA DE COMER CARNE COM MEDO DE AIDS |
8/1/2007 - 16h
Um misto de boato e desinformação está provocando um problema inusitado na cidade de Jericó, trazendo medo à população e prejuízo aos comerciantes que trabalham com abate e venda de carne. Tudo começou depois que surgiu um boato na cidade de que um suposto portador do vírus da Aids estaria mantendo relações sexuais com cabras e ovelhas, e que esta prática estaria contaminando os animais.
De acordo com os moradores, a mulher do suposto homem morreu há poucos dias vítima do HIV e ele, que também estaria infectado pelo vírus da doença, continuaria andando livremente pela cidade.
Devido o temor por parte dos moradores em comer esses dois tipos de carne, com medo de serem infectados, os comerciantes do ramo estão sendo prejudicados, principalmente aqueles que vivem exclusivamente do abate e venda de caprinos e ovinos.
A maioria desses comerciantes, segundo os moradores, chegava a vender cinco animais por semana, e agora este número não chega nem a dois animais por semana. "Toda essa história só nos trouxe prejuízos financeiros" lamentou um dos comerciantes, que pediu para não ser identificado.
Diante dessa situação, os comerciantes do ramo de ovinos e caprinos solicitaram das autoridades de saúde providências no sentido de realizar campanhas e palestras junto aos moradores da cidade para esclarecer em que condições as pessoas podem ou não contrair Aids.
O gerente operacional da DST/AIDS da Secretaria de Estado da Saúde, Ranulfo Cardoso Júnior, explicou que o vírus HIV, que causa a Aids, é o "Vírus da Imunodeficiência", e ele não passa de uma espécie para outra.
"A população ao fazer uso da carne de caprinos e ovinos pode ficar ciente de que não corre nenhum risco quanto ao contágio com o HIV", declarou Ranulfo, que se disse a disdposição da Secretaria Municipal de Saúde de Jericó para realizar em parceria uma campanha de conscientização junto à população.
Fonte: Paraiba.com.br
 |
|
 |
|
|
 |

|
 |
| Da ampliação do diagnóstico ao fortalecimento da prevenção |
 |
Por Mariângela Simão
O ano de 2009 foi um marco no enfrentamento da epidemia do HIV/aids no Brasil. Começou com a proposta de ampliação do diagnóstico do vírus em vários segmentos da população. Para isso, colocou em destaque o teste rápido, que agora é 100% nacional. O método reduz o tempo de espera – o resultado sai em menos de 30 minutos –, pode chegar a locais de difícil acesso ou sem estrutura laboratorial.
Ao longo do ano, foram encaminhados ao 26 estados e ao Distrito Federal quase dois milhões de dispositivos para realizar os testes rápidos. Trata-se do recorde anual, desde que a nova metodologia foi adotada pelo programa de aids brasileiro em 2005 para diagnóstico na população geral. Para se ter ideia, o quantitativo do ano passado é quase quatro vezes maior que no lançamento, há cinco anos. Essa ampliação foi um compromisso assumido pelo ministro José Gomes Temporão por ocasião do Dia Mundial de Luta contra a Aids de 2008.
Nunca é demais lembrar que uma parte importante dos diagnósticos de aids é feita tardiamente, quando o sistema imunológico das pessoas já está comprometido.
Outro destaque importante do ano foi o anúncio da maior pesquisa sobre conhecimentos, atitudes e práticas sexuais da população brasileira. A boa notícia é que a camisinha vem se tornando uma grande companheira dos casais no início da vida sexual. Em 2008, 61% dos jovens entrevistados afirmaram tê-la usado na primeira relação. Na pesquisa de 2004, esse índice era de 53%. O problema é que ao longo da vida o preservativo vai sendo deixado de lado. O estudo mostrou que os jovens fazem mais sexo protegido do que os mais velhos. 49,6% das pessoas entre 15 e 24 anos afirmaram ter usado preservativo em todas as relações sexuais com parceiros casuais, nos últimos 12 meses. No grupo entre 50 e 64 anos, esse percentual cai para 32%.
Um dado da PCAP que chama a atenção é que a internet tem sido um meio utilizado pelos jovens para conhecer parceiros. A pesquisa mostra que 10,5% teve pelo menos um parceiro sexual que conheceu na rede mundial de computadores. Entre os acima dos 50 anos, esse tipo de comportamento não chega a 2%.
A comparação dos resultados dos resultados de 2004 com os de 2008 nos acendeu um alerta. O brasileiro tem feito mais sexo casual. Em 2004, 4% das pessoas haviam tido mais de cinco parceiros casuais no ano anterior. Em 2008, esse índice subiu para 9,3%. Ao lado disso, o estudo mostra que quem tem mais parceiros casuais usa mais camisinha do que quem não tem. O conhecimento sobre os riscos de se infectar com o HIV e sobre as formas de prevenção continuam altos. Mesmo assim, a pesquisa identificou tendência de queda no uso do preservativo. Passou de 51,6% em todas as parcerias eventuais, em 2004, para 46,5% em 2008.
Mariângela Simão é diretora do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde |
|
|
|