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43,7% DAS PESSOAS COM HIV TÊM ACESSO TARDIO A TRATAMENTO, SEGUNDO RELATÓRIO DA UNGASS


14/02/2008 - 14h30

O Programa Nacional de DST e Aids (PN) divulgou, no fim da manhã desta quinta-feira (14/02), o relatório “UNGASS: Resposta Brasileira à Epidemia de Aids 2005-2007”, com um balanço da epidemia no país. O documento será apresentado para a Organização das Nações Unidas (ONU). O principal destaque foi o dado inédito de que 43,7% das pessoas de 15 anos ou mais, que vivem com HIV, chegam aos serviços de saúde com deficiência imunológica, um início tardio no tratamento.

Uma das possíveis hipóteses para a causa disso, segundo a diretora do PN, Dra. Mariângela Simão, seria a de que as pessoas têm medo de fazer o teste de HIV e procuram ajuda somente quando necessitam de assistência médica. Segundo ela, apesar do índice ser comparado com o de países desenvolvidos, ainda assim trata-se de percentual “inaceitável”.

José Carlos Veloso, presidente do Gapa de São Paulo e um dos representantes da sociedade civil no evento, acredita que uma das causas desse quadro é a falta de descentralização de campanhas para a Aids. “Quase tudo é em instância federal e muito pouco em municipal”, opinou.

O relatório foi apresentado em uma coletiva de imprensa em Brasília, em que estiveram presentes a Dra. Mariângela Simão, José Carlos Veloso, Pedro Chequer, Alexandre Grangeiro e Tânia Tenório.

O tema sobre o acesso tardio ao tratamento revelou que o maior índice se concentra na região norte, com cerca 53,3%. A região sudeste ficou dentro da média nacional com 43,1%. O universo de pessoas que chegaram tarde ao tratamento, pouco mais de 50 mil pessoas, 28,7% apresentou um quadro clínico mais grave e evoluiu para óbito no início do tratamento. Foram analisado dados entre os anos de 2003 e 2006.

“Fazer o diagnóstico, quanto o óbito, acho que esse é o pior indicador que a gente tem. A análise deste período mostra que de 11 mil óbitos que tem anualmente por Aids no Brasil, cerca de 3 mil e 600 foram de pessoas que faleceram ao fazer o diagnóstico”, acrescentou Dra. Mariângela Simão. Alexandre Grangeiro, sociólogo do Instituto de Saúde de São Paulo, lembrou que 8% das pessoas que procuram o teste de HIV são para elucidar causas de relações sexuais de risco.

“O restante provavelmente fica sabendo por outros exames. Temos que lembrar que o serviço público oferece a testagem [de HIV] e 100% das pessoas que são convidadas, fazem o teste. O Brasil precisa buscar uma conjugação entre oferecer o teste e a população busca-lo”, disse o especialista.

Para José Carlos Veloso, “há necessidade dos municípios também se mobilizarem mais e não deixarem tudo nas mãos do governo federal”, opinou. O Ministério da Saúde ampliou o acesso a testes rápidos para reverter a situação, em aproximadamente 140%. Em 2005 eram disponíveis 510 mil exames e em 2007 foi 1 milhão.

A Dra. Mariângela disse que a meta é continuar o aumento e declarou que o acesso tardio ao tratamento pode ter como causas, além do medo e estigma da Aids, a falta de percepção dos profissionais de saúde para solicitarem o teste ao paciente. Foram considerados com acesso tardio ao tratamento, as pessoas que receberam o diagnóstico com células CD4 abaixo de 200 cópias por mm3 de sangue.

Recursos

O Programa Nacional informou no evento também que, com negociações de preços com farmacêuticas e a licença compulsória do Efavirenz, teve uma redução de gastos com anti-retrovirais de 960 milhões para 710 milhões de reais, entre 2006 e 2007, respectivamente.

Acesso

Outro dado destacado foi de que cerca de 95% das pessoas que necessitavam de tratamento fizeram uso da terapia anti-retroviral, segundo Mariângela, “um dos melhores índices do mundo”. O relatório será enviado para a Assembléia Geral das nações Unidas em HIV/Aids (UNGASS), depois de acordo firmado em 2001.

Rodrigo Vasconcellos, de Brasília

A Agência de Notícias da Aids cobriu o evento com apoio do Programa Nacional de DST/Aids





Enfrentar as hepatites tem que ser prioridade do Governo

Por Jeová Pessin Fragoso

As hepatites virais, principalmente as dos tipos B e C, tornaram-se na atualidade uma das maiores preocupações de saúde publica, e tem tirado a qualidade de vida, quando não a própria vida, de um número alarmante de brasileiros. Segundo estimativas da OMS (Organização Mundial da Saúde), cerca de 5 milhões de pessoas estão infectadas com esses vírus no Brasil.

Portador da hepatite C, presido o Grupo Esperança, que tem apoiado as pessoas com hepatites da Baixada Santista, litoral de São Paulo. São mais de 3 mil portadores de hepatites, residentes em nove municípios da região e filiados ao nosso grupo.

Jeová Pessin Fragoso é Presidente do Grupo Esperança, de Santos.


 
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