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DIA INTERNACIONAL DA MULHER : AGENTES DE PREVENÇÃO DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO CONTAM EXPERIÊNCIAS DE VIDA E ABORDAM USO DA CAMISINHA FEMININA EM EVENTO APRESENTADO POR REGINA VOLPATO


5/3/2008 - 21h

“Dona Antonieta tem 67 anos e arrumou um namoradinho. Apresentei a camisinha feminina, porque vai que o senhor, até chegar na hora H (risos).... e disse, olha, ela é melhor e tem lubrificante e falei que podia colocar 4 horas antes”, contou Núbia, de Vila Prudente. Com muito bom humor, sete agentes de prevenção que integram a equipe de agentes do Programa Municipal de São Paulo participaram de um bate-papo descontraído, na tarde desta quarta-feira no centro de São Paulo, já em comemoração do Dia Internacional da Mulher (8 de março).

O evento promovido pelo Programa Municipal de DST/Aids de São Paulo, com a mediação da apresentadora do SBT, Regina Volpato, que participou da ação sem cobrar cachê, teve como um dos principais assuntos o uso da camisinha feminina. A utilização de medicamentos anti-retrovirais em casos de rompimento do preservativo no ato sexual também gerou polêmica no evento.

Como em um talk-show de TV, o evento intitulado “Casos de Mulher” foi realizado em um tom descontraído, apresentando as histórias das agentes de prevenção. “O seu status de viúva tem alguma relação com a Aids?”, perguntou Regina Volpato a algumas agentes, que responderam não e iniciaram o bate-papo com a apresentadora.

“Minha filha está com 11 anos e toma os remédios [anti-retrovirais] às 7 da manhã e 7 da noite. Fiz tratamento quando estava grávida, com AZT, mesmo na época não precisando e na minha cabeça, negativei minha filha”, disse Marilene da Conceição, a primeira agente de saúde a dar um depoimento sobre sua vida como mãe viúva e a filha soropositiva.

Sempre em um tom natural e com bom humor, outras agentes contaram histórias que ilustram a submissão das mulheres em um relacionamento estável, sem poder negociar o preservativo. É o caso da agente de prevenção Núbia, de Vila Prudente. O marido não usa mais drogas há pelo menos dois anos,contou. “Era vítima de espancamento quando ele ficava bravo e, uma vez, fiquei sabendo como denunciar num programa de televisão”,explicou.

Depois,acrescentou que para evitar mais uma gravidez, já que tinha quatro filhos, passou a usar a camisinha feminina, "mesmo ele não gostando. Quando descobri que ele poderia ser submisso, com medo do fim do relacionamento, não parei mais de usar e hoje ele me acompanha como segurança particular [quando sai a campo em áreas de prevenção]”.

Francilene Rodrigues, agente que trabalho no bairro do Itaim Paulista, é paraplégica.Levou um tiro do marido. “Aprendi que deficientes têm sexualidade sim, mas não sabia disso por um preconceito comigo mesma. Me isolei do mundo, não falava com as pessoas e consegui sair da depressão sozinha”.A história de Francilene foi a que mais comoveu e chamou a atenção de todas as pessoas que lotaram a grande sala do Hotel Braston, no centro da cidade e acompanharam com atenção e carinho o relato de cada uma das mulheres convidadas para o "Casos de Mulher".“ Quando estou fazendo meu trabalho e distribuindo camisinhas a receptividade das pessoas é muito boa.Acho que elas se espantam um pouco porque é uma deficiente falando, mas também se interessam por causa disso”,falou sobre sua experiência ao abordar as pessoas na rua e conversar sobre preservativos prevenção e doenças sexualmente transmissíveis.



Para a coordenadora do Programa Municipal de DST/Aids,Cristina Abbate, a agente que também participa de uma pesquisa sobre pessoas com deficiência e DST, é um exemplo de como a violência doméstica está presente na sociedade em pleno século XXI,nos momentos em que a mulher tenta negociar o uso do preservativo ou quando trabalha para conseguir o respeito do companheiro de um modo geral.

Anti-retrovirais

No fim do evento, um participante da platéia causou polêmica sobre o uso de anti-retrovirais em caso de rompimento do preservativo no ato sexual, para evitar a infecção do HIV. O participante perguntou se o fato de tomar o remédio poderia ser uma forma de prevenção. "Não costumo falar sobre isso com meu parceiro, se falasse, acho que daria margem para a pessoa querer optar por tomar remédio depois, em vez de usar o preservativo”, disse uma das agentes de prevenção.

A infectologista Zarifa Khouri, também do Programa Municipal, informou que a melhor maneira de saber o que fazer em casos de acidentes de rompimento de preservativos, inclusive em casais sorodiscordantes, é procurar pelo médico.

“Não vamos medicalizar a prevenção. Os homens também, coitados (risos), nem sempre sabem ou ficam com vergonha de como usar o preservativo. Vamos ensiná-los, vamos usar mais a sedução”, brincou a coordenadora Cristina Abbate, lembrando que a camisinha é o único método mais seguro de evitar infecções e outras DSTs.

"A profilaxia não pode ser banalizada, senão daqui a um tempo o município de São Paulo vai ficar com uma cepa de vírus super resistente e vai ser difícil tratar o soropositivo. O uso de anti-retrovirais em acidentes é muito restrito", acrescentou Dra. Zafira.

Rodrigo Vasconcellos





Secretaria Municipal de Saúde - SP
Assessoria de Imprensa
Tel.: (0XX11) 3218-4066





Enfrentar as hepatites tem que ser prioridade do Governo

Por Jeová Pessin Fragoso

As hepatites virais, principalmente as dos tipos B e C, tornaram-se na atualidade uma das maiores preocupações de saúde publica, e tem tirado a qualidade de vida, quando não a própria vida, de um número alarmante de brasileiros. Segundo estimativas da OMS (Organização Mundial da Saúde), cerca de 5 milhões de pessoas estão infectadas com esses vírus no Brasil.

Portador da hepatite C, presido o Grupo Esperança, que tem apoiado as pessoas com hepatites da Baixada Santista, litoral de São Paulo. São mais de 3 mil portadores de hepatites, residentes em nove municípios da região e filiados ao nosso grupo.

Jeová Pessin Fragoso é Presidente do Grupo Esperança, de Santos.


 
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