|
|
 |
| GESTOS LANÇA PUBLICAÇÕES SOBRE SAÚDE SEXUAL E REPRODUTIVA DE MULHERES EM NOVA IORQUE; PROJETO COORDENADO PELA ONG PERNAMBUCANA REUNIU ENTIDADES DE 16 PAÍSES DA AMÉRICA LATINA, ÁSIA E ÁFRICA |

06/06/2008 – 14h05
Na tarde desta sexta-feira (06/06), a Gestos - Soropositividade, Comunicação e Gênero (ONG pernambucana de combate ao HIV) apresenta duas importantes publicações sobre direitos de saúde sexual e reprodutiva de mulheres para o HIV/Aids.
O evento, que acontece na sede da Fundação Ford, em Nova Iorque (EUA), será fechado para cerca de 50 convidados, entre os quais ativistas, representantes governamentais e financiadores. O diretor-executivo do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre o HIV/Aids (UNAIDS), Peter Piot, será uma das autoridades presentes. As publicações apresentadas serão:
Monitorando as Metas da UNGASS-AIDS para os Direitos de Saúde Sexual e Reprodutiva de Mulheres
Projeto coordenado pela Gestos em parceria com outras ONGs de 16 países da América Latina, Ásia e África. Os países participantes são: Brasil, Argentina, Uruguai, Chile, Venezuela, México, Belize, Nicarágua, Peru, África do Sul, Quênia, Uganda, Tailândia, Indonésia, Índia e Ucrânia.
O programa é financiado principalmente pela Fundação Ford com apoio da UNAIDS (programa de enfrentamento à AIDS da ONU) e o Centro de Cooperação Técnica e Internacional em HIV e Aids (CICT), departamento do Programa Nacional de DST/Aids do Brasil.
Estratégias do Sul: Construindo Sinergias em HIV/AIDS e Direitos Sexuais e Reprodutivos
"Um importante caminho para aumentar a participação das mulheres nas decisões políticas, e fazer links mais concretos entre saúde sexual e reprodutiva e HIV é através de um maior envolvimento dos grupos da sociedade civil – particularmente de grupos de mulheres e redes de trabalho femininas de soropositivas”, afirma o diretor executivo da UNAIDS, Peter Piot.
“Toda mulher enfrenta dificuldades em ter os seus direitos sexuais e reprodutivos respeitados, mas é muito pior para mulheres que vivem com HIV e Aids”, diz Mabel Bianco, presidente da Fundación de Estúdios de Investigación de la Mujer (FEIM).
A sócio-fundadora da Gestos, Alessandra Nilo, que representa a instituição no encontro desta sexta-feira (06/06), explica a importância da publicação. “É essencial fortalecer a questão dos direitos sexuais e reprodutivos femininos no enfrentamento do HIV/Aids se realmente queremos pensar em acesso universal em 2010”, diz.
“O monitoramento da UNGASS-AIDS 2008 precisa alertar governos, financiadores e representantes da sociedade civil para uma ação urgente de ajuda”, explica Alessandra Nilo. Nos dias 10 e 11 de junho (próximas terça e quarta-feira), haverá a reunião geral de monitoramento UNGASS – Aids 2008 na sede da ONU, também em Nova Iorque, com representantes de cada país que apresentará seus resultados com base na Declaração de Compromissos de 2001.
Entenda a Declaração UNGASS
Chefes e representantes de Estados e de Governos reuniram-se nas Nações Unidas de 25 a 27 de junho de 2001, na vigésima sexta Sessão Especial da Assembléia Geral – UNGASS-Aids (United Nations General Assembly Special Session for HIV/Aids), em caráter de urgência, para rever e examinar o problema do HIV/Aids, em todos os seus aspectos, assim como, assegurar um compromisso global no sentido de melhorar a coordenação e a intensificação dos esforços para enfrentar a epidemia, de maneira objetiva, nos níveis nacional, regional e internacional.
Encontros Paralelos
A Gestos também participa, na próximo domingo (08/06) em Nova Iorque, de um encontro da sociedade civil jovem para o HIV/Aids. A Youth Coallition, nome do encontro, será na sede da ONU. O evento visa soluções de prevenção para jovens de até 25 anos com HIV/Aids (que representam quase metade das pessoas que vivem com a epidemia no mundo). A ativista Manuella Donato, da Gestos, representará a instituição na reunião.
A questão da tuberculose e malária também será tema de encontro na ONU na próxima segunda-feira (09/06). As duas doenças estão relacionadas à Aids, pois pessoas que vivem com o HIV/Aids são mais vulneráveis a se infectar com os dois vírus. Jair Brandão, também ativista da Instituição participará do encontro.
A coordenadora de programas da Gestos, Alessandra Nilo, representará a sociedade civil na reunião de monitoramento da UNGASS 2008, na ONU, no próximo dia 10 de junho. Alessandra falará sobre a participação da sociedade civil na luta contra a epidemia.
Redação da Agência de Notícias da Aids
DICA DE ENTREVISTA
Gestos - Soropositividade, Comunicação e Gênero
Tel.: (0XX81) 3421-7670
E-mail: comunicacao@gestospe.org.br
 |
|
 |
|
|
 |

|
 |
| Da ampliação do diagnóstico ao fortalecimento da prevenção |
 |
Por Mariângela Simão
O ano de 2009 foi um marco no enfrentamento da epidemia do HIV/aids no Brasil. Começou com a proposta de ampliação do diagnóstico do vírus em vários segmentos da população. Para isso, colocou em destaque o teste rápido, que agora é 100% nacional. O método reduz o tempo de espera – o resultado sai em menos de 30 minutos –, pode chegar a locais de difícil acesso ou sem estrutura laboratorial.
Ao longo do ano, foram encaminhados ao 26 estados e ao Distrito Federal quase dois milhões de dispositivos para realizar os testes rápidos. Trata-se do recorde anual, desde que a nova metodologia foi adotada pelo programa de aids brasileiro em 2005 para diagnóstico na população geral. Para se ter ideia, o quantitativo do ano passado é quase quatro vezes maior que no lançamento, há cinco anos. Essa ampliação foi um compromisso assumido pelo ministro José Gomes Temporão por ocasião do Dia Mundial de Luta contra a Aids de 2008.
Nunca é demais lembrar que uma parte importante dos diagnósticos de aids é feita tardiamente, quando o sistema imunológico das pessoas já está comprometido.
Outro destaque importante do ano foi o anúncio da maior pesquisa sobre conhecimentos, atitudes e práticas sexuais da população brasileira. A boa notícia é que a camisinha vem se tornando uma grande companheira dos casais no início da vida sexual. Em 2008, 61% dos jovens entrevistados afirmaram tê-la usado na primeira relação. Na pesquisa de 2004, esse índice era de 53%. O problema é que ao longo da vida o preservativo vai sendo deixado de lado. O estudo mostrou que os jovens fazem mais sexo protegido do que os mais velhos. 49,6% das pessoas entre 15 e 24 anos afirmaram ter usado preservativo em todas as relações sexuais com parceiros casuais, nos últimos 12 meses. No grupo entre 50 e 64 anos, esse percentual cai para 32%.
Um dado da PCAP que chama a atenção é que a internet tem sido um meio utilizado pelos jovens para conhecer parceiros. A pesquisa mostra que 10,5% teve pelo menos um parceiro sexual que conheceu na rede mundial de computadores. Entre os acima dos 50 anos, esse tipo de comportamento não chega a 2%.
A comparação dos resultados dos resultados de 2004 com os de 2008 nos acendeu um alerta. O brasileiro tem feito mais sexo casual. Em 2004, 4% das pessoas haviam tido mais de cinco parceiros casuais no ano anterior. Em 2008, esse índice subiu para 9,3%. Ao lado disso, o estudo mostra que quem tem mais parceiros casuais usa mais camisinha do que quem não tem. O conhecimento sobre os riscos de se infectar com o HIV e sobre as formas de prevenção continuam altos. Mesmo assim, a pesquisa identificou tendência de queda no uso do preservativo. Passou de 51,6% em todas as parcerias eventuais, em 2004, para 46,5% em 2008.
Mariângela Simão é diretora do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde |
|
|
|